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Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Pandemia do coronavírus faz patrocinadores e até emissora de TV abandonar o futebol

Investidores têm cancelado acordos ou pedindo suspensão e TV Globo decide congelar o pagamento das cotas de transmissão enquanto os jogos não voltarem a ser realizados

Daniel Batista e Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 17h22

O avanço do novo coronavírus (covid-19) em todo o mundo vai gerar uma crise financeira sem precedentes para os clubes de futebol, principalmente no Brasil. Além da falta de bilheteria nos jogos, outras importantes fontes de renda parecem secar até mais rapidamente do que se esperava. Patrocinadores e a TV Globo, principal emissora do país e detentora de muitos direitos de transmissão, colocaram o pé no freio em relação aos investimentos no esporte nesse momento e os clubes se preparam para viver nova realidade financeira. A arrecadação dos clubes vai encolher.

Sem transmissão de partidas e exibição de suas marcas na TV, algumas empresas estão deixando os clubes nas mãos ou revendo contratos anuais. Um caso que confirma esse novo cenário é a relação do Azeite Royal com os times do Rio. A empresa patrocinava os quatro principais clubes do Estado: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. A crise chegou e o foco de investimento da marca mudou. 

A Royal fechou a torneia financeira e justificou, em nota oficial, que concentra suas ações no abastecimentos de redes de supermercados parceiras, dando a entender que o futebol não é prioridade neste momento. A parceria da marca com o Flamengo, em 2020, renderia cerca de R$ 3 milhões e os demais times receberiam valores próximos de R$ 1,5 milhão. 

"O momento atual traz oportunidade a clubes e atletas com a produção de conteúdo para engajamento ainda maior de torcedores e fãs, além da possibilidade de realizar diversas ações em prol do combate à covid-19 e relacionadas ao terceiro setor", disse Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, uma das agências que mais fecham contratos de patrocínio no futebol. 

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O momento atual traz oportunidade a clubes e atletas com a produção de conteúdo para engajamento ainda maior de torcedores e fãs
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Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing

O futebol paulista também sofre com a crise desencadeada pela pandemia. A Marjosports, startup de tecnologia voltada para apostas esportivas, suspendeu seu contrato com o Corinthians devido ao impacto que a paralisação do futebol provocou na empresa. No Santos, a Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT), que patrocinava as categorias de base da Vila Belmiro, suspendeu seu contrato, tendo em vista que o setor de turismo é um dos mais afetados pela covid-19. 

Em contrapartida, Palmeiras e São Paulo não apresentaram, por enquanto, suspensões ou rescisões com suas patrocinadoras. A Crefisa, empresa parceira do time alviverde desde 2015 e que paga o maior patrocínio do futebol brasileiro - cerca de R$ 81 milhões -, no entanto, admite que pode rever o contrato e fazer alterações nos valores anuais. O clube não anunciou redução de salários de seus jogadores.

TV

Outra importante fonte de renda dos clubes vem da televisão. A TV Globo decidiu suspender o pagamento dos direitos de transmissão dos campeonatos estaduais por tempo indeterminado e para lamentação dos grandes times e desespero dos pequenos. "Para nós, a cota de TV representa 85% da nossa receita", admite um dirigente de time do interior paulista, que pediu para não ser identificado. 

“Ocorre que as pessoas amam o esporte e esse período de ausência dos eventos fará com que a audiência seja ainda maior. E quando for novamente possível, com grande presença dos torcedores nos estádios e arenas. Todos estão sentindo falta de esportes, do futebol. Isso fará com que parte das perdas seja compensada", analisou Wolff. 

ANÁLISE

Amir Somoggi, sócio diretor da Sports Value

Dentre os mais de R$ 79 bilhões que serão perdidos devido aos impactos da covid-19 no esporte profissional em todo o mundo, cerca de R$ 1 bilhão serão decorrentes do Brasil. Pode parecer uma fatia pequena do bolo, mas é um alto valor para a realidade do nosso País. As folhas orçamentária dos clubes estão elevadas e as receitas, que já não acompanhavam o ritmo das despesas, agora estão estagnadas.

Se já existia um buraco entre o fluxo de arrecadação e as faturas dos clubes, a chance desse buraco virar uma cratera, aumentou consideravelmente e não há como evitar isso. Assim sendo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deve agir. Calcula-se que a entidade máxima do futebol nacional tenha, em caixa, R$ 700 milhões, que podem ser distribuídos de forma inteligente aos clubes.

O Governo Federal, embora tenha outras prioridades, pode reduzir os encargos tributários cobrados às equipes. E, falando nelas, é preciso que haja uma readequação orçamentária dos clubes brasileiros. Estima-se que, em média, a folha salarial das equipes brasileiras sejam reduzidas em até 25%. Não vejo outra saída, além dessa reestruturação financeira.

Caso contrário, clubes de pequeno e de médio porte podem fechar suas portas nos próximos meses, já que dependem do repasse das federações, que dependem do repasse de verbas oriundas da televisão, que dependem dos patrocinadores e do público, que está ausente no momento e este cenário permanecerá por meses.

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