Corpo de Gino é enterrado no Araça

A alegria pela volta de Kaká aos treinos do São Paulo nesta quinta-feira contrastou com a tristeza pela morte de Gino Orlando, segundo maior goleador da história do Tricolor e que dedicou boa parte de sua vida ao clube de coração, exatos 44 anos. E foi justamente o coração deste goleador que parou na madrugada desta quinta-feira, no Hospital do Coração, onde estava internado desde fevereiro e havia passado por cirurgia para correção de aneurisma no tórax. Gino sofreu parada cardíaca. O enterro aconteceu no Cemitério do Araçá nesta quinta-feira à tarde. Gino nunca foi um craque. Ao contrário, como gostava de se definir, era um protótipo de grosso. Grandalhão, forte, era daqueles centroavantes trombadores, que supria a falta de técnica com força de vontade. Destacava-se ainda por ser um cabeceador emérito. ?Também com Maurinho numa ponta e Canhoteiro na outra...?, dizia. ?Eu fui o protótipo do grosso, do jogador que procurava suprir as deficiências técnicas com desprendimento fora do comum. Eu brigava o tempo todo com os beques adversários, não acreditava em bola perdida.? E quando falava em briga com zagueiros, não estava exagerando. De gênio irascível e tremenda vontade de obter vitórias a qualquer custo, foram inúmeras confusões e expulsões. ?Eu era terrível, não levava desaforo para a casa. Nem deixava meu time em situação inferior.? O autor de 232 gols com a camisa do Tricolor, superado apenas por Serginho, que fez 242, figura nas estatísticas do clube também, como o sexto jogador do clube. Foram 450 partidas, em dez anos de clube. Defendeu a seleção brasileira em nove oportunidades e sua maior decepção foi ser cortado da Copa do Mundo de 1958. Defendeu o São Paulo de 1953 a 1963, conquistando o título paulista de 53 e 57. De seus pés, saiu o primeiro gol de bicicleta em Portugal, na vitória do Brasil sobre os portugueses por 1 a 0 em 1957, no Estádio Jamor. E a primeira bola na trave do Morumbi, em 1960. De 1969 até os dias atuais, era o administrador do Estádio do São Paulo. Vai deixar saudade.

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