Matthew Childs / EFE
Matthew Childs / EFE

Corrida pelo título do Campeonato Inglês já acabou. Briga pelo G-4 começa agora

Manchester United, Leicester City e outras equipes de Londres e Liverpool disputam vagas nas competições europeias da próxima temporada

Rory Smith, The New York Times

09 de abril de 2021 | 15h00

Chegamos à reta final da temporada da Premier League, o último quarto de uma campanha que foi considerada a mais caótica e menos previsível de todas.

Às vezes, durante o outono e o inverno (no hemisfério norte), a combinação de estádios vazios, calendário apertado e ritmo frenético parecia destinada a usurpar a ordem estabelecida. Os times pareciam subir e descer na tabela a cada semana. Surgiram questionamentos sérios sobre se o Aston Villa poderia vencer o Campeonato Inglês, ou se o Arsenal corria o risco de ser rebaixado.

Mas não foi exatamente o que aconteceu. Quando a primavera ainda estava fresca no ar, logo ficou claro que o Manchester City - o time com o melhor e maior elenco e com o técnico mais brilhante - seria campeão. A equipe de Pep Guardiola tem 14 pontos de vantagem sobre o Manchester United, seus dedos já estão quase tocando o terceiro troféu em quatro anos.

O rebaixamento também está, em grande medida, resolvido. Sheffield United e West Bromwich Albion vão jogar na segunda divisão (Championship) na próxima temporada; tudo o que resta a ser decidido é se o Fulham pode reunir ímpeto suficiente para empurrar o Newcastle, à deriva e sem direção, para um lugar ao lado deles.

Na ausência de indecisões na parte superior e inferior da tabela, a Premier League concentrou todo o seu drama na disputa por uma posição imediatamente abaixo do líder Manchester City. Há mais três vagas disponíveis para a Liga dos Campeões da próxima temporada e sete equipes têm uma chance realista de pegar uma delas.

Alguns times são gigantes em queda, desesperados para salvar alguma coisa de uma temporada amargamente decepcionante. Outros são surpresas, aquelas equipes que melhor se adaptaram à estranheza desta temporada. É neste ponto que as consequências de todo o caos e imprevisibilidade dos últimos sete meses se tornam realidade, e é uma disputa que é quase impossível de prever - pelo menos por enquanto.

“Vai ser até o último jogo”, disse Carlo Ancelotti, técnico do Everton, no mês passado. O desafio, disse ele, é garantir que você ainda estará na disputa até lá.

Partidas importante e caminhos difíceis

Uma olhada na tabela indicaria que dois dos sete candidatos a uma vaga na Liga dos Campeões - Manchester United e Leicester City - têm uma vantagem considerável. O United de Ole Gunnar Solskjaer tem oito pontos sobre o West Ham, atualmente o primeiro time logo abaixo do G-5. O Leicester de Brendan Rodgers tem uma vantagem de sete pontos.

Mas no caso do Leicester, certamente, essa vantagem ainda pode ser cancelada pelo fato de que seus jogos restantes são consideravelmente mais complicados do que alguns de seus adversários. Três de seus últimos quatro jogos são contra rivais diretos por uma vaga entre os quatro primeiros: o time visita Manchester United e Chelsea, e tem um jogo em casa contra o Tottenham. Na temporada passada, a equipe de Rodgers perdeu uma posição entre os quatro primeiros no último dia; o calendário deste ano traz consigo o fantasma do passado.

Nenhuma outra equipe tem uma reta final de campeonato tão árdua, embora o Chelsea se aproxime disso. A extensão do efeito da chegada do novo técnico Thomas Tuchel em Stamford Bridge será avaliada por visitas a West Ham e Manchester City, e os próximos jogos em casa contra Arsenal e Leicester.

Se o calendário está mais gentil com algum time é com o Liverpool, arrastando-se em sétimo lugar após uma péssima campanha desde o final de dezembro. Talvez seja um certo consolo para uma equipe que passou os últimos três meses perdendo em casa para Fulham, Brighton e Burnley, mas pelo menos dá ao time de Jürgen Klopp uma chance mínima de retornar à principal competição da Europa. 

O fator cansaço

As lesões provaram ser um fator determinante no resultado desta temporada da Premier League, não é algo surpreendente nem particularmente discutível. A raiz do colapso do Liverpool está na perda de seus zagueiros; o ímpeto do Leicester tropeçou com a ausência, em vários momentos, de Jamie Vardy, James Maddison e Harvey Barnes, entre outros; os resultados do Everton pioraram quando James Rodríguez esteve fora.

Seria razoável, então, supor que os próximos dois meses serão decididos por quais equipes sofrerão menos lesões, principalmente em seus jogadores-chave. O Liverpool, claro, ainda sente falta de Virgil van Dijk, Joe Gomez e Joel Matip. O Tottenham está sem Son Heung-min. O Leicester está sem Barnes, Maddison e James Justin, enquanto o Manchester United está suando sem Marcus Rashford, Mason Greenwood e Anthony Martial.

É claro que as lesões podem ser puro infortúnio - um desarme que deu errado, um movimento mal calculado - mas também podem ser cumulativas, o efeito de um jogador exigido demais naquilo que Arsène Wenger costumava chamar de "zona vermelha". Mas esta não é a única consequência do cansaço. Mesmo se as contusões forem evitadas, o desempenho pode cair.

É isso, mais do que qualquer coisa, que deve fazer o técnico Solskjaer e o Manchester United hesitarem. Antes de começar o jogo deste domingo, o capitão do United, Harry Maguire, terá jogado 3.946 minutos nesta temporada, mais do que qualquer outro jogador de campo na Inglaterra. Ele jogou o equivalente a cinco jogos completos a mais nesta temporada do que o segundo colocado, Youri Tielemans, do Leicester.

Mas Maguire não está sozinho nessa. O United tem sete jogadores que jogaram mais de 2.700 minutos nesta temporada. Leicester e Everton têm apenas um, Chelsea dois, enquanto Tottenham e West Ham têm três. Até o Liverpool, com suas opções reduzidas por causa de todas as lesões, tem apenas cinco. Se o cansaço provar ser um fator importante, a espinha dorsal do United tem mais probabilidade de ser afetada na reta final do que qualquer outra.

Até certo ponto, isso é compensado por seus recursos, claro: Solskjaer tem opções caso algum de seus principais jogadores fique fora ou sofra uma queda alarmante de rendimento. Ter de jogar com Donny van de Beek porque Bruno Fernandes precisa de descanso não deve ser um grande sacrifício.

Na verdade, talvez esta seja a fórmula que virá a definir os próximos dois meses, que nos sirva para encontrar o sinal em meio ao ruído desta temporada. Mais do que em qualquer outra temporada, o prêmio irá para as equipes que melhor conseguirem minimizar os efeitos do cansaço, graças à redução da carga de trabalho ou à disponibilidade de força necessária para a supera a situação. Em todo o caos, no final, haverá algum tipo de ordem. /Tradução de Renato Prelorentzou 

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