Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Corrupção esvazia cofre da Conmebol. Até premiação corre risco

Bloqueio das contas bancárias das agências de marketing investigadas pelo FBI deixa confederação sem caixa

ALMIR LEITE E GONÇALO JÚNIOR, ENVIADOS ESPECIAIS A SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2015 | 07h00

A Conmebol ainda não sabe como fazer os pagamentos das premiações da Copa América, Copa Libertadores e Copa Sul-Americana depois do bloqueio das contas das empresas parceiras nas investigações do FBI sobre corrupção no futebol. As alternativas são utilizar um fundo de emergência da entidade, de cerca de US$ 10 milhões (R$ 31 milhões), negociar com novos patrocinadores – algumas empresas já recusaram – ou recorrer ao governo chileno, que não pretende ajudar. 

“Existe sim uma preocupação quanto ao pagamento das premiações. Ela se estende aos torneios da Copa Libertadores e Copa Sul-Americana”, disse o uruguaio Wilmar Valdez, presidente da Federação Uruguaia de Futebol e vice-presidente da Conmebol, em entrevista exclusiva ao Estado.

A entidade pretendia utilizar os recursos da venda de direitos de transmissão da Copa América para cobrir as despesas do torneio, como hospedagem e alimentação das delegações. Esse, no entanto, é um dos pontos centrais das investigações do FBI: pagamento de propina na comercialização dos direitos de televisionamento. 

Com isso, estão bloqueadas as contas bancárias da empresa detentora dos direitos, a uruguaia Datisa, que é formada pela brasileira Traffic e pelas argentinas Full Play e Torneos y Competencias. 

Diante do impasse, crescem os rumores de que o governo chileno poderia cobrir os custos de premiação evitando um constrangimento internacional em seu território. O Ministério do Esporte, no entanto, disse que não tem essa obrigação.

“Temos bom relacionamento com o Comitê Organizador, estamos em contato permanente e não recebi nada sobre isso. O governo não tem nenhuma obrigação sobre este tipo de situação”, afirmou Nathalia Riffo, ministra do Esporte, à imprensa chilena. 

A crise significa que, na prática, as seleções que disputam a Copa América ainda não têm a garantia de que vão receber as bonificações pela conquista. A premiação geral é de US$ 10 milhões (R$ 30,75 milhões). São R$ 4 milhões para o campeão, R$ 3 milhões para o vice, R$ 2 milhões para o terceiro e R$ 1 milhão para o quarto colocado. 

A necessidade de uma solução é urgente, pois as equipes começam a disputar hoje as fases decisivas – Chile e Uruguai abrem as quartas de final. “Estamos em negociação com os patrocinadores e também com empresas para que possamos resolver a situação de forma rápida”, afirmou Valdez. 

LIBERTADORES

De acordo com o dirigente da Conmebol, a preocupação vai continuar na Libertadores, torneio que foi interrompido exatamente para a disputa da Copa América. A premiação, aqui, é menor: US$ 5,3 milhões (R$ 16 milhões). Outra é a negociação com patrocinadores para que a cota seja destinada diretamente para a entidade sul-americana. 

O dirigente não confirma, mas os contatos feitos recentemente não foram favoráveis. Algumas empresas não querem associar sua marca a uma entidade investigada por corrupção e com dirigentes presos. 

Na investigação do FBI, foram presos sete dirigentes, entre eles, José Maria Marin, que continua na Suíça, e o ex-presidente da Conmebol, e Nicolás Leoz, em prisão domiciliar no Paraguai. “A preocupação é com a situação geral da entidade, não só pela Copa América. Não há dúvida de que é uma crise”, disse Valdez. 

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