Corte Européia amplia os comunitários

Uma decisão da Corte Européia de Justiça pode provocar uma revolução no futebol mundial a partir da próxima temporada. O órgão determinou que todos os jogadores nascidos em países que possuem algum tipo de acordo firmado com a UE (União Européia) têm direito ao status de "comunitário", ou seja, não ocuparão mais vaga de estrangeiro em seus clubes. A medida abrange 101 países do Leste Europeu, Escandinávia, África, Ásia e Caribe. Entre os países europeus beneficiados estão Rússia, Ucrânia, Bulgária, Romênia, Turquia, Suíça, Islândia, Geórgia e Armênia. Entre os africanos estão Camarões, Senegal, Gana, Nigéria e África do Sul - notórios fornecedores de jogadores para os clubes europeus.O estopim da decisão foi uma ação movida pelo jogador russo Igor Simutenkov. Em 2001, quando defendia o Tenerife, ele solicitou à Federação Espanhola que lhe concedesse a condição de "comunitário" - o que lhe foi negado. O jogador se baseou num acordo assinado entre seu país e a UE em 1994 que proibia a discriminação de trabalhadores russos por motivo de nacionalidade. O caso foi correndo até chegar à Corte Européia, em Luxemburgo. A UE é formada por 25 países.A decisão surge no momento em que cresce o movimento para restringir o número de jogadores estrangeiros nos clubes das principais ligas européias com o objetivo de dar mais espaço aos atletas nascidos no próprio país.Simutenkov, que atualmente joga nos Estados Unidos pelo Kansas City Wizards, não beneficiou apenas os jogadores de futebol com sua vitória. Atletas de todas as modalidades poderão se aproveitar da decisão, o que mexerá bastante nas ligas de basquete de Itália e Espanha, por exemplo, e também na de vôlei da Itália.Indiretamente, a medida também será benéfica para os sul-americanos. Se menos jogadores serão "estrangeiros" nos clubes europeus, haverá mais vagas para os nascidos na América do Sul.O "caso Simutenkov" poderá ter um impacto semelhante ao do "caso Bosman", que acabou com o passe na Europa em 1995. Na época, o jogador belga Jean-Marc Bosman conseguiu na Corte Européia o direito de ficar livre ao final do contrato. Desde então, os clubes só podem cobrar pela transferência de jogadores com contrato em vigor. Quando um atleta fica sem contrato, pode negociar por conta própria com o clube que quiser - o que passou a ocorrer no Brasil com a Lei Pelé.

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