Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Cortejo de corpo de Diego Armando Maradona causa comoção em Buenos Aires

Multidão acompanha trajeto até o cemitério no último adeus ao ídolo argentino

Luciana Rosa / Buenos Aires, especial para O Estadão

26 de novembro de 2020 | 19h51

A família de Maradona já havia cedido aos apelos do presidente da Argentina, Alberto Fernández, e havia decidido passar o fim do velório, das 16h para 19h. No entanto, a mudança de horário não foi suficiente para acalmar os ânimos daqueles que esperavam por uma oportunidade de dar seu último adeus ao ídolo. 

Um pouco antes das 18h, o corpo de Maradona saiu da Casa Rosada com direção ao cemitério Jardín Bella Vista, que fica na zona noroeste da grande Buenos Aires, onde também estão enterrados seus pais, Dalma e Diego.  

Uma multidão se amontoava nas margens da rodovia por onde passou o cortejo que levava o corpo do camisa 10. A pista ao lado da qual este percorria estava praticamente parada, tomada por carros estacionados para ver Maradona passar. Pessoas cumprimentavam a caravana e emocionadas acenavam e festejavam pela última vez o contato com o craque. 

Um incidente acrescentou algo de poesia Maradoniana ao percurso. A caravana errou a saída da rodovia e teve de fazer um caminho alternativo, improvisando um "atalho", algo muito comum ao craque para chegar aos objetivos nos gramados pelo mundo.

Depois de quase uma hora de trajeto, por volta das 19h30, o corpo de Maradona chegou ao cemitério, onde seus familiares e amigos o esperavam muito emocionados.  Após um curta cerimônia religiosa, o corpo foi enterrado por volta das 20h08. Do lado de fora, centenas de pessoas se amontoavam nas ruas, o que gerou um princípio de confusão, dando trabalho para os policiais, e também alguns espiavam nos tetos das casas. 

CONFUSÃO NO VELÓRIO

Fãs de Maradona e policiais entraram em conflito do lado de fora da Casa Rosada, local do velório do astro. Por volta das 15h30, um grupo de pessoas tentou derrubar as grades de proteção para ganhar espaço na longa fila. A polícia local respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e prisões para dispersar o tumulto.

Alguns fãs reagiram à ação da polícia com o arremesso de garrafas e hidrantes. Diante da violência, famílias com crianças pequenas tiveram de fugir pelas ruas secundárias enquanto a polícia avançava. A fila para entrar no velório de Maradona tinha mais de 20 quadras de extensão. Durante o tumulto, alguns invadiram a Casa Rosada. Por precaução, o caixão do ídolo foi transferido para um outro salão.

No meio da grande aglomeração de pessoas na esquina da Avenida de Mayo com a 9 de Julho, perto da Casa Rosada, foram registradas empurrões, correria e gritos. Enquanto alguns tentavam furar a fila, a polícia reagiu e começou a dispersar o tumulto. As balas de borracha também feriram algumas pessoas, que tiveram de receber atendimento médico. Houve também o uso de caminhões hidrantes e de motos para fazer com que alguns se afastassem da região.

A confusão teve início perto do fim do velório. Com longas filas desde a madrugada, o público teve muito ansioso para passar pelo salão onde está o caixão do ídolo argentino. Por causa dos cuidados com a pandemia do novo coronavírus, a presença foi restrita a no máximo 20 pessoas por vez.

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