Costa Rica se sente abraçada na terra de Pelé

Tranquilidade de Santos foi fundamental na escolha da sede

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2014 | 05h00

Agora como favorita, a Costa Rica já sabe que se ganhar da Grécia, domingo, no Recife, vai jogar pelas quartas em Salvador (contra Holanda ou México), dia 5 de julho, mas já decidiu: enquanto estiver viva na Copa, a sua cidade-sede vai continuar sendo Santos. Por questão de logística, o normal seria a seleção se mudar para o nordeste, evitando desgaste com viagens longas. Mas, depois de surpreender o mundo do futebol com as vitórias contra Uruguai e Itália e garantida na segunda fase da Copa, a decisão comunicada sábado à Fifa para providenciar a extensão da reserva do hotel onde a delegação está hospedada, no bairro do Gonzaga, e a emissão de passagens aéreas.

"Os jogadores dizem que estão bebendo na Vila Belmiro a mesma água que Pelé, Robinho e Neymar tomavam. É muita energia positiva", conta Marco Vinício Rivero Chaves, da Televisora Costa Rica. "No vestiário da Vila, os jogadores ficam diante dos armários com as fotografias daquele grande Santos bicampeão mundial e se sentem mais motivados. E fora, o clima é sempre de festa para a seleção. Todos nós estamos nos sentindo em casa. Santos é muito parecida em tudo com Costa Rica e os santistas nos acolheram como muito carinho".

Não é de se estranhar que entre os costa-riquenhos haja a crença de que parte do sucesso da seleção sensação da Copa se deve à mística do estádio em que a seleção vem se preparando para os jogos. No país, Pelé já era a principal referência do futebol brasileiro desde 1970, quando o Santos jogou contra o Saprissa, em San José, capital da Costa Rica. "O Santos ganhou por 4 a 1 e ficou com o troféu que vimos agora aí no Memorial de Conquistas", disse Josué Amador Quesada, a Rádio Colúmbia.

Os dirigentes da Federação de Futebol da Costa Rica, a escolha de Santos para ser a sede da seleção foi em razão de ser uma cidade sem a agitação dos grandes centros como Rio e São Paulo, com temperatura parecida com a do país, e pelas facilidades que oferece, como bons hotéis e local para treinamentos. "Não queríamos ser tratados como estranhos e nesse sentido a escolha foi a melhor possível".

Logo que o ônibus da Fifa para em frente ao hotel para o embarque ou desembarque dos jogadores surgem pessoas de todos os lados para saudar a seleção. A cena se repete também na Vila Belmiro. Como não há entre os jogadores nenhuma estrela de primeira grandeza do futebol mundial, os gritos são de "Costa Rica, Costa Rica...", como ontem às 10h30, quando a seleção chegou para treinar e foi recebida com muita alegria por 34 crianças, com idade entre seis e dez anos, da escola Elsa Silva Santos, de Cubatão.

O diretor de seleções da Costa Rica, Adrían Gutierrez , lamenta a falta de tempo para conhecer melhor a cidade de Santos, em razão das seguidas viagens. "Temos passado muito tempo dentro de ônibus e aviões, mas, como estou gostando demais de tudo aqui, vou voltar como turista. Noventa por cento do povo costa-riquenho torcem pelo futebol brasileiro e estamos nos sentindo recompensados", disse.

Aproximadamente cinco mil torcedores da Costa Rica viajaram ao Brasil para assistir aos jogos da seleção em Fortaleza e Recife. Poucos deles apareceram em Santos. Até entre jornalistas que acompanham a seleção e integrantes da delegação a expectativa era de que, num grupo tão difícil, a Costa Rica fizesse campanha digna, talvez com um empate contra o Uruguai. Adrían é exceção. "O nosso sucesso se deve a três pilares: a preparação física para suportar jogos disputados com intensidade; a tática eficiente do nosso treinador (Jorge Luiz Pinto) e a parte emocional, com qualidade e equilíbrio. O que a Costa Rica vem fazendo não é surpresa. Surpresa foi como passamos à segunda fase, terminando a primeira fase invictos, em primeiro lugar e com apenas um gol sofrido, o que faz muita diferença. Enfrentamos adversários que chegaram ao Mundial como potencias e já começaram a regressar aos seus países".

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