CPI acredita em interferência da Nike

O lateral de Real Madrid, Roberto Carlos, deu hoje uma versão diferente da que foi apresentada pelo Edmundo sobre o que se passou na concentração da seleção brasileira na Copa da França. Eles foram convidados a depor na CPI da CBF/Nike para ajudar na apuração sobre a suposta interferência da Nike na escalação de Ronaldinho no jogo em que a seleção perdeu a copa para a França. Edmundo disse à comissão, em novembro, que o representante da empresa de material esportivo acompanhava de perto os jogadores, hospedando-se inclusive no hotel da concentração. Já Roberto Carlos, informou que o empregado da Nike se hospedava no centro da cidade e que só comparecia à concentração para entregar o material esportivo. Os jogadores também discordaram sobre a presença do técnico Zagallo no momento em que Ronaldo passou mal. Roberto Carlos, que dividia o quarto com Ronaldinho, disse que o técnico não esteve no local. Edmundo disse que ele chegou ao quarto pouco depois dos médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta. O relator da comissão, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), reconheceu que as informações de Roberto Carlos "acrescentam muito pouco às investigações". Ainda assim, ele acredita que houve realmente a interferência da Nike na escalação do atacante. "Com certeza, toda essa força que a empresa tinha na seleção brasileira pesou na decisão do técnico de escalar Ronaldinho sem ter certeza de suas condições de saúde", defendeu. Falharam todas as tentativas dos deputados de obter de Roberto Carlos informações capazes de dar consistência à tese de que a Nike influenciou na escalação da seleção brasileira. Em resposta ao deputado Alex Canziani (PSDB-PR), que perguntou se o atleta sabia de algum jogador que tivesse sido convocado para atender à empresa, Roberto Carlos respondeu: "Não sei e nem quero ouvir sobre isso". Mais na frente, diante da insistência do deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP) sobre o assunto, o jogador foi decisivo: "O pessoal está lá para mais preocupado em jogar bola do que em falar de coisas ruins". O lateral do Real Madrid disse que no dia do último jogo da seleção brasileira na Copa da França estava em seu quarto, vendo televisão, quando olhou para a cama do lado e viu que Ronaldinho não estava passando bem. "Falei, Ronaldinho pára com isso aí, que eu tenho medo", lembrou. "Eu achei que ele estava fazendo careta para mim". Assustado, ele disse que foi bater no quarto ao lado, onde estava Edmundo, que se encarregou de chamar os médicos da seleção. Roberto Carlos disse que, mesmo antes de fazer os exames, Ronaldinho avisou que queria jogar. O jogador disse que, na cobertura da copa, os jornalistas lhe atribuíram frases que ele não disse, como a de informar que Ronaldo teve um ataque epiléptico ou que amarelou. O deputado Rubens Furna (PPS-SP) fez um contundente enunciado antes de perguntar ao jogador se ele não acha que as empresas patrocinadoras atrapalham. Roberto Carlos respondeu sucintamente que "não", sem entrar no tom emocionado da pergunta do parlamentar.

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