CPI arma ataque com a fita de Teixeira

A fita com a conversa do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com os presidentes de federações estaduais, e que está sendo periciada pela Polícia Federal, pode gerar duas representações contra o dirigente. Enquanto o senador Geraldo Althoff (PFL-SC) manifestou seu desejo de encaminhar o resultado da perícia para a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, o presidente da CPI, senador Álvaro Dias (Sem Partido-PR) defende que seja feita uma representação contra Teixeira diretamente na Procuradoria-Geral da República. ?A conversa dele explicita uma tentativa de obstruir os trabalhos de investigação?, resume Álvaro.O senador paranaense não acha necessário que a ação seja feita via Secretaria-Geral. ?No caso do Eurico, nós também pulamos essa etapa e fomos direto ao procurador-geral da República. O presidente da CBF não é senador para que tenhamos que pedir autorização da Mesa para processá-lo?, justificou. Álvaro disse que as declarações de Teixeira estão tipificadas no Código de Processo Penal e no Regimento Interno do Senado, que dá poderes de investigação para os trabalhos desenvolvidos por Comissões Parlamentares de Inquérito. A assessoria jurídica da CBF, contudo, está reunida para tentar reverter uma perseguição que, segundo eles, é política. Ninguém fala abertamente, mas a justificativa é de que todas as contas de Ricardo Teixeira, bem como as suas declarações de renda e de patrimônio, estão registradas no Banco Central e na Receita Federal. ?Depois daquela história da muamba, na Copa de 1994, a vida fiscal do presidente da CBF foi devassada. Foram três investigações completas nos últimos cinco anos?, afirmou um assessor.De acordo com ele, Teixeira foi o único dirigente que aceitou a quebra de seu sigilo na CPI, enquanto os demais entraram com ações no Supremo Tribunal Federal tentando impedir que os senadores tivessem acesso aos dados bancários, fiscais e telefônicos. Os advogados entraram também com uma ação contra o presidente e o relator da CPI na Câmara, respectivamente, os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Silvio Torres (PSDB-SP). ?Eles não podem encaminhar para o Ministério Público um relatório final que não foi aprovado pela CPI?, contesta outro assessor de Ricardo Teixeira.Angioplastia - Enquanto o presidente da CBF se recupera de uma angioplastia, realizada nesta sexta-feira no Hospital Pró-Cardíaco, na Zona Sul do Rio, técnicos da CPI preparam toda a documentação para o seu depoimento, marcado para o dia 12 de outubro. A Comissão conta com uma equipe de 15 técnicos para analisar os documentos encontrados e a maior parte dos trabalhos está centrada nos dados da CBF.O presidente da CPI, senador Álvaro Dias, acha natural esta tentativa de Ricardo Teixeira de tentar desqualificar as descobertas feitas contra ele. ?Na história criminal brasileira eu nunca vi algum denunciado confessar de pronto seus crimes ?, rebateu Álvaro.O senador disse que não é sua intenção pré-julgar ninguém, mas admite que existem dados concretos contra o presidente da CBF. ?Ele vai ter que se esforçar muito para convencer os senadores de sua inocência?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.