CPI constrange representantes da Nike

Deputados da CPI da CBF/Nike chegaram a constranger os representantes da Nike que depuseram nesta quarta-feira para que ele confirmassem a tese de que a escalação da seleção brasileira é feita pela empresa patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os diretores de Relações Pública e de Finanças da empresa, Ingor Ostrowisky e Amadeu Aguiar Júnior, negaram terminantemente de que isso tenha ocorrido na Copa de 1998 ou em qualquer outro momento. Segundo eles, a relação da Nike com a seleção brasileira é a de patrocinadora e de fornecedora de material esportivo.Normalmente tranqüilo, até o relator Silvio Torres (PSDB-SP) resolveu elevar o tom de voz para que eles afirmassem o que queria ouvir. Do presidente do Vasco da Gama, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), a reação foi pior ainda. Ele debochou, desfez e ainda por cima tentou provocar os depoentes, tratando-os como responsáveis pelo "péssimo" contrato de patrocínio da seleção. A certa altura, como Ostrowisky disse que não sabia do assunto tratato por ele, Eurico respondeu: "O fato do senhor desconhecer esse assunto não muda nada. A colocação foi essa que eu fiz". Mais adiante, quando Amadeu disse que não via nada de mal no fato do contrato com a CBF ter sido assinador em Zurique, o deputado disparou: "O senhor é um péssimo administrador".Autor da tese de que foi a Nike que escalou Ronaldinho no último jogo da Copa de 1998, mesmo sem ele ter condições de jogar, o presidente da CPI, Aldo Rebelo (PCdo B-SP), continua fiel à essa idéia. Ele vê o fato da assinatura do contrato com a CBF ter ocorrido em Zurique como uma espécie de esperteza da empresa, que dessa forma estaria protegida por uma legislação favorável ao devedor. A escolha da Suíça teria ocorrido, segundos os funcionários da empresa, para que a Nike e a CBF contassem com um país como foro neutro.Silvio Torres insistiu na idéia de que Ronaldinho foi escalado para atender à Nike. Ostrowisky lembrou que todos os que depuseram na CPI negaram esse fato. "O senhor está esquecendo de Edmundo", retrucou Torres. O depoente lembrou que o jogador deu depois entrevistas negando esse fato.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.