CPI credita a Figer ?esquema Uruguai?

A triangulação na venda de jogadores brasileiros no Uruguai foi oficialmente confirmada pela CPI da CBF/Nike. Três deputados da comissão que estiveram naquele país em trabalho de investigação trouxeram de lá um relatório detalhado do esquema. Na prática, o que ocorre é que os passes de jogadores são vendidos por valores baixos para aos clubes uruguaios Rentistas e Central Espanhol.No dia seguinte à transação, os passes são vendidos para clubes europeus por muitos dólares acima do preço de saída do Brasil. De acordo com o deputado Ronaldo Vasconcellos (PL-MG), a apuração também mostrou que o Brasil não possui uma legislação capaz de fechar o ralo por onde milhares de divisas são desviados. No Uruguai, ao contrário, de acordo com o parlamentar, o esquema está amparado pela lei. Ele apontou o empresário Juan Figer como principal beneficiário do esquema.Ou seja, além de sonegar impostos, o empresário que intermediou a transação também impede a entrada no País dos recursos negociados com os clubes europeus. "Pode ser um esquema legal, mas é imoral", afirmou Vasconcellos. Ele lembrou que a saída dos passes pelo país vizinho, além de propiciar a sonegação de imposto, impede que os recursos negociados com os clubes europeus entrem no Brasil. Os deputados Nelo Rodolfo (PMDB-SP) e José Janene (PPB-PR) também participaram da investigação.A investigação da CPI foi motivada por três transações, via Uruguai, feitas por Figer. O jogador Lucas saiu do Atlético do Paraná para o Rentistas por US$ 7,5 milhões. De lá, seu passe foi vendido ao Rennes, da França, por US$ 23 milhões. O meia Zé Roberto teve seu passe transferido da Portuguesa para o Rentistas por US$ 5 milhões. No dia seguinte, o passe foi vendido para o Real Madrid por US$ 10 milhões. O jogador Alberto também foi vendido para o clube uruguaio pelo Atlético do Paraná por US$ 1,5 milhão. Dali ele "pulou" para o time italiano Udinese por US$ 5 milhões.De acordo com o Ronaldo Vasconcellos, os dirigentes do Rentistas e do Central Espanhol confirmaram toda a transação. "Eles informaram que as comissões que recebem de Juan Figer variam de valor", acrescentou. "Mas que em média ficam em torno de 10% do valor do passe". Ainda com base na conversa que tiveram com os dirigentes, Vasconcellos constatou que eles não pretendem abandonar o esquema, apesar de começar a vigorar no país uma reação contrária da população. O governo, por sua vez, no dizer do parlamentar, está analisando a possibilidade de reter como imposto 10% do valor do passe. No entender de Vasconcellos, existe uma "verdadeira relação de confiança" entre os dois dirigentes e Figer, a ponto deles se manifestarem plenamente satisfeitos com os termos da triangulação.

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