CPI critica "colonialismo no futebol"

Além dos passaportes falsos, principal tema da reunião desta quinta-feira em Zurique, entre deputados da CPI e dirigentes da Fifa, outro escândalo que preocupa a entidade e que começa a ser investigado pelo Congresso brasileiro é a transferência de jogadores com menos de 18 anos para o exterior. "Muitas equipes européias praticam o colonialismo futebolístico", afirmou o presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).Rebelo lembra que a Inter de Milão possui um programa de assistência que envolve 4 mil crianças no Brasil. "O problema é que essas crianças são obrigadas a vestir o uniforme da equipe italiana. Não podemos deixar que percam sua identidade", disse o deputado. A questão que mais preocupa, porém, é que esses atletas são levados pelos dirigentes com promessas de se tornarem estrelas. "Caso não tenham uma boa atuação, são simplesmente abandonados na Europa", explica o presidente da CPI.Além do caso da Inter de Milão no Brasil, outras equipes européias, como o Manchester United (Inglaterra), possuem programas semelhantes na África. "São verdadeiras concentrações de menores", avalia Rebelo.A porta de entrada para esses jogadores seria a Bélgica. De acordo com as investigações da CPI, o maior número de transferências teriam ocorrido depois da ida do jogador Oliveira para Bruxelas e o principal responsável seria o empresário Giuseppe Rubollota. Para Rebelo, a CBF e o governo deveriam fiscalizar a saída desses jogadores. A proposta dos deputados é de que seja feito um cadastro com todas as transferências.

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