CPI denuncia tentativa de suborno

A proximidade da votação do relatório da CPI do Futebol produziu um clima de guerra no Senado. Nos últimos dias, um grupo de parlamentares passou a se empenhar na defesa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os mais atuantes dessa tropa vêm sendo dois senadores do PMDB: Gilvam Borges (AP) e João Alberto (MA). Por outro lado, líderes de todos os partidos decidiram formalizar o apoio à CPI - reação motivada pela denúncia de que alguns senadores teriam recebido propostas financeiras em troca da rejeição do parecer assinado por Geraldo Althoff (PFL-SC). O texto será apresentado na terça-feira e, como deve haver pedido de vistas, a votação só deverá ocorrer dois dias depois, na quinta-feira. A denúncia de suborno foi apresentada, em discurso feito na tribuna do Senado, pelo presidente da comissão, Álvaro Dias (PDT-PR). Segundo eles, dirigentes de clubes, federações e da CBF estariam tentando "convencer" os senadores para que não aprovem o relatório. "É incrível que alguns cartolas pensem em corromper senadores, cooptando-os a sepultar um trabalho feito com a maior seriedade", acusou. Dias disse que a "maneira ardilosa" de comprar o voto do parlamentar ocorre com a oferta de dinheiro para financiar a campanha eleitoral. "Aliás, a CBF se especializou, nos últimos tempos, em dar dinheiro para campanhas eleitorais", afirmou. O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), também declarou apoio à CPI e sugeriu a colegas vítimas de "pressões ilegítimas" contra a comissão que denunciem o fato. "Como presidente, o que me interessa é a lisura do trabalho da comissão e disso eu não tenho nenhuma dúvida", afirmou, ao reconhecer que o Senado "está fervendo". Quase todos os membros da comissão receberam telefonemas de pessoas ligadas a dirigentes de futebol. O senador Sebastião Rocha (PDT-AP) disse ter recebido dois telefonemas. Num deles, o interlocutor sugeria que ele conversasse com o relator sobre a conveniência em apresentar um parecer de entendimento. No outro, o autor do telefonema contou que o ex-presidente da Fifa, João Havelange, teria sugerido que fossem sondadas as informações existentes contra Ricardo Teixeira. O senador disse que não atendeu a nenhum dos pedidos. "Alguém me ligou dizendo que o Ricardo Teixeira queria conversar comigo, mas ele não me ligou, não me procurou e, portanto, não conversei com nenhum cartola", afirmou. O senador Bernardo Cabral (PFL-AM) preferiu sair da comissão. Ele mandou um ofício ao líder de seu partido, José Agripino (PFL-RN), em que se diz "excessivamente ocupado" com a relatoria reforma do Judiciário. Cabral também se mostra aborrecido com a suspeita de que poderia votar a favor do dirigentes. Ele é amigo do presidente do Vasco da Gama, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), e diretores do clube.

Agencia Estado,

29 Novembro 2001 | 18h54

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