CPI: devassa em negócios de Teixeira

O presidente da Federação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, tornou-se um dos principais alvos de investigação das duas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que apuram denúncias de corrupção no futebol. Os procedimentos da CPI do Futebol atingem ainda sua ex-mulher Lúcia Hermanny Havelange, seu filho Ricardo Teixeira Havelange, o irmão Guilherme Teixeira e seu tio Marco Aurélio Teixeira. Guilherme, Marco Aurélio e cinco sócios de Teixeira tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrado pela comissão.A ex-mulher e o filho terão investigadas as escrituras, procurações, contratos e testamentos públicos que estão registrados em cartórios do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Oito empresas do dirigente tiveram o sigilo bancário e fiscal quebrados. O relator Geraldo Althoff (PFL-SC) aponta como ponto "mais intrigante" nos negócios de Ricardo Teixeira o fato de não constar na sua declaração de renda lucros compatíveis com os seus bens.Os senadores também decidiram aprofundar as sindicâncias na CBF. A entidade terá de prestar contas, entre outros, sobre os recursos recebidos de patrocinadores, os comprovantes de quitação de impostos, as operações de crédito realizadas nos últimos cinco anos e os nomes dos beneficiários de doações feitas a partir de 1995. A CPI pediu ao Banco Central cópias de processos administrativos em nome da entidade, tanto dos que já foram arquivados como dos que estão tramitando. Pediu ainda dados sobre as operações cambiais feitas pela confederação e sobre as empresas ou pessoas com as quais se relacionou.A CPI da CBF/Nike fechou o cerco aos seis empréstimos feitos pela CBF na Banco Delta, que totalizam US$ 40 milhões, e no patrimônio milionário acumulado por Ricardo Teixeira nos últimos anos. O deputado Doutor Rosinha (PT-PR) apontou como suspeitas as transações que resultaram na compra das residências que ele possui em Miami, Flórida, e em Búzios, no litoral carioca. Também o presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), põe dúvidas quanto a legalidade das operações de crédito realizadas no Delta. Teixeira foi o avalista de todas elas. O principal ponto de interrogação é quanto ao valor extorsivo dos juros pagos pela CBF e, mais recentemente, pelas informações falsas apresentadas pelo dirigente para justificá-los. Ele disse à CPI, por exemplo, que o governo de Minas Gerais e as empresas Klabin e TV Filme pagaram ao Banco Delta juros de 47,57%, 50,56%, 50,36%, respectivamente. A intenção era a de justificar o fato da CBF ter pago ao banco juros de 52,12% no empréstimo de US$ 7 milhões.Nesta quinta-feira o secretário de Fazenda de Minas, José Trópia Reis, e representantes das empresas enviaram ofícios à comissão informando que as operações foram realizadas com juros fixados em 8,25%, 9,53% e de 12,87%. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), chamou a atenção para o fato dos juros pagos pelas empresas de Teixeira ficarem bem abaixo dos valores pagos pela CBF.O presidente da CPI do Futebol, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), informou que Teixeira será chamados a depor novamente, provavelmente em maio. Já a CPI da CBF/Nike conseguiu aprovar um requerimento convocando para depor, na quinta-feira que vem, o representante do Banco Delta no Brasil.

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