CPI do Corinthians já tem votos suficientes para ser instalada

Apesar da pressão do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, 29 senadores assinaram requerimento para a CPI

Rosa Costa, Estadão

10 de outubro de 2007 | 23h35

Apesar da pressão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, 29 senadores - dois além do que o necessário - assinaram o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista encarregada de investigar a parceria do Corinthians com a empresa MSI (Media Sports Investiment), no período de 2000 até este ano. A CPI também investigará fatos correlatos, envolvendo dirigentes, jogadores e empresários do setor. Veja também: Você aprova a eleição de Andrés Sanchez como o novo presidente do Corinthians? Corinthians: 30 anos do fim da fila Nesta quarta-feira, foi cumprida regimentalmente a primeira fase de criação da CPI. Falta agora ler o requerimento em plenário e adotar as providências para sua instalação, o que só deve ocorrer na segunda quinzena de novembro. Os autores da propostas, deputado Silvio Torres (SP) e senador Álvaro Dias (PR), ambos do PSDB, lembram que o Ministério Público encontrou nos contratos do clube com a empresa fortes indícios de formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro e a ordem tributária e evasão de divisas. Dias informou que continuará coletando assinaturas de colegas, para suprir aquelas que eventualmente venha a ser retiradas. Por ora, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foram os únicos a recuarem do apoio à CPI. Ambos foram visitados por Ricardo Teixeira na semana passada. Já o líder tucano Arthur Virgílio (AM) e os demais signatários - nomes como o de Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), ambos dissidentes do PMDB - continuam apoiando a iniciativa. O presidente da CBF alega que a investigação pode vir a inviabilizar as pretensões do Brasil de sediar a Copa do Mundo em 2014. Para não dar embasamento a um suposto fiasco nas pretensões do País, Silvio Torres decidiu adiar para meados de novembro as providências para instalar a comissão. Ou seja, dias depois de 31 desde mês, quando a Fifa escolherá o local da sede da Copa. O deputado disse que os argumentos de Teixeira terminaram brecando a iniciativa de colegas favoráveis à investigação. Se é que esteve na Câmara dos Deputados, a exemplo do que ocorreu no Senado, Ricardo Teixeira não foi visto por lá, segundo o deputado. "Aquele argumento continua pesando para algumas pessoas, elas dizem ter medo de atrapalhar a escolha do Brasil para a Copa", informou Torres. "Para não darmos este pretexto, fizemos o entendimento de esperar um pouco para instalar a CPI", justificou. De São Paulo, apenas o senador Eduardo Suplicy (PT) apoiou até agora a investigação. Já na Câmara, o acolhimento à proposta foi imediato, a ponto de Silvio Torres obter nos primeiros dias de coleta 210 assinaturas, 39 além do necessário. Hoje somam-se 220 assinaturas no requerimento de criação da comissão. Silvio Torres disse que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), não criou nenhuma dificuldade à iniciativa de investigar o que realmente ocorreu entre os dirigentes do Corinthians e a empresa MSI. A favor da iniciativa, ele citou o fato de a Fifa patrocinar um comitê especial de investigação de crimes como os que existiriam entre o Corinthians e a MSI. O principal alvo seriam máfias do Leste Europeu interessadas em lavar dinheiro com atividades desportivas, sobretudo o futebol. Esta será a terceira CPI instalada no Congresso para investigar atividades e pessoas ligadas ao futebol. Em 2000 e 2001, o Senado foi a fundo na questão - e os acusados até hoje respondem na Justiça sobre a compra e venda irregulares de jogadores, evasão de divisas, enriquecimento ilícito de dirigentes de clubes e empobrecimento dos times. Foi relatada pelo senador Álvaro Dias. Já Silvio Torres foi o relator da CPI da Nike, que tentou investigar praticamente a mesma coisa, mas teve seus trabalhos inviabilizados pela chamada bancada da bola, comandada, entre outros, pelo presidente do Vasco e então deputado Eurico Miranda.

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