CPI do Futebol faz peregrinação

O presidente e o relator da CPI do Futebol, senadores Álvaro Dias (PDT-PR) e Geraldo Althoff (PFL-SC), entregam esta semana o relatório final da comissão aos dois órgãos encarregados de cobrar impostos e taxas sonegadas nas operações suspeitas investigadas nos últimos 14 meses. Os parlamentares se encontram nesta terça-feira à tarde, com o secretário-geral da Receita Federal, Everardo Maciel. Nesta quarta-feira, será a vez do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, receber o relatório. Cabe a eles, rastrear os valores devidos aos cofres públicos nas transações feitas pelas 17 pessoas, a maioria dirigentes de futebol, cujo indiciamento foi pedido ao Ministério Público. Estão na lista o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira; os presidentes do Vasco da Gama, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), Flamengo, Edmundo Santos Silva, e da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah. Dados da CPI indicam que a Receita Federal dispõe de elementos para cobrar cerca de R$10 milhões sonegados. Alguns dos acusados, como o ex-treinador do Corinthians, Vanderlei Luxemburgo, começaram a pagar as contas antes mesmo do final das investigações. Os senadores descobriram que, em seis anos, Luxemburgo movimentou em suas contas bancárias cerca de R$ 18 milhões, mas apenas R$ 10 milhões foram declarados à Receita. A descoberta se deve ao poder da comissão de quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados. Não é atoa, portanto, a declaração do secretário Everardo Maciel de que gosta muito das CPIs. A colaboração da CPI vai permitir ao Banco Central ter acesso às transações feitas pelos clubes na compra e venda de jogadores. Os números, que muitas vezes mostram lavagem de dinheiro, são mantidos a sete chaves pelos dirigentes, conforme revelou o diretor do banco que depôs no início dos trabalhos da CPI. O Congresso tem igualmente o apoio dos dois órgãos para decifrar os números encontrados. Além da rapidez no envio dos documentos pedidos, Maciel e Fraga colocaram à disposição dos senadores auditores e técnicos acostumados a decifrar as picaretagens utilizadas para tirar dinheiro do País sem pagar impostos.

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