CPI: Eurico se defende das acusações

O presidente do Vasco, deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ), reuniu os funcionários do clube Aremithas José de Lima e Nilson Gonçalves, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, em São Januário, para tentar explicar as acusações de desvio e apropriação indevida de recursos financeiros feitas pela CPI do Futebol, no Senado. Mais uma vez, o dirigente negou ter se beneficiado do dinheiro do Vasco, mas admitiu que, por diversas vezes, recebeu reembolsos após ter feito empréstimos ao clube. Aremithas Lima, que entre 1996 e 2000 movimentou cerca de R$ 13 milhões em sua conta bancária, admitiu que utilizava sua conta para receber e efetuar pagamentos de contas particulares de Eurico. Acusado pelos senadores da CPI de ser um "laranja" do presidente vascaíno, o funcionário disse ter provas para mostrar a legalidade de seus métodos de trabalho. "Está tudo comprovado com notas", garantiu.Por medo de ter complicações com a Receita Federal, por causa de suas altas movimentações financeiras, Aremithas Lima recorreu à ajuda de Nilson Gonçalves. Este, por sua vez, revelou ter oferecido a conta da Brazilian Soccer, uma empresa prestadora de serviços esportivos, para o colega do clube, em 1999. Na conta da Brazilian Soccer foram depositados, além do dinheiro particular de Eurico, recursos financeiros do Vasco. Com o objetivo de fazer uma "economia processual", o presidente vascaíno explicou que fazia só um cheque para pagar as modalidades do esporte amador. "Por exemplo, o atletismo tem cerca de 400 atletas. Recebia um cheque total e depois saía pagando cada atleta", disse Aremithas Lima, que pode ter movimentado cerca de R$ 2,5 milhões de recursos do esporte amador por mês. "No final, apresentava os comprovantes para a tesouraria do clube e comprovava a utilização do dinheiro." Apesar da mistura dos recursos, Aremithas Lima afirmou que nunca utilizou dinheiro do clube para pagar contas particulares de Eurico. Entre agosto de 1998 e fevereiro de 1999, quando o Vasco teve suas contas bloqueadas, Aremithas Lima já havia usado sua própria conta para receber e fazer os pagamentos do clube e do dirigente.Nilson Gonçalves, que trabalha no Vasco há 18 anos, atrapalhou-se ao tentar explicar como sua conta foi usada por Eurico e Aremithas Lima. Ele não soube dizer, por exemplo, a origem dos recursos aplicados em sua conta. Primeiro falou que era só do dirigente. Depois, disse ser apenas do clube. As dúvidas de Nilson Gonçalves levaram o presidente do clube a comentar: "Ele não sabe de onde vem os recursos da própria conta". Em seguida, o funcionário vascaíno admitiu que assinou uma procuração para Aremithas Lima e não interferiu na movimentação de sua conta, pois afirmou ter total confiança no colega.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2001 | 19h31

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