CPI fecha o cerco contra passaportes

A intervenção nos Clubes e federações e o descredenciamento pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de agentes envolvidos na falsificação de passaportes são algumas das medidas propostas para CPI da CBF/Nike para combater a irregularidade.Além da ação da CBF, o relatório preliminar da comissão também aponta a necessidade da Fifa adotar uma série de regras contra o uso de passaportes falsos. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP) explicou que as sugestões foram feitas com base nas investigações feitas pela sub-comissão que investigou o assunto. O documento, que será votado nos próximos dias pela CPI, propõe nove medidas, quatro delas da responsabilidade da CBF e cinco da Fifa.Os deputados sugerem que o órgão máximo do futebol adote e divulgue um cadastro de jogadores extra-comunitários. A iniciativa impediria que os clubes europeus contratem jogadores brasileiros ou da África e depois afirmem que foram ludibriados, caso o atleta venha a ser flagrado com passaportes portugueses ou de outro país da comunidade européia. Eles também querem que a Fifa descredencie o agente envolvido na falsificação de passaportes e que a CBF providencie um cadastro com o nome dos jogadores negociados com clubes estrangeiros.Menores - A CPI também divulgou o relatório preliminar sobre o tráfico de jogadores menores de idade para o exterior. O documento assinado pelo deputado Eduardo Campos (PSB-PE) constata que a principal rota de entrada de atletas menores de idade é a Bélgica e que, no Brasil, os agentes atuam de forma criminosa, inclusive falsificando certidões de nascimento e passaportes, "sem que sejam incomodados pelas autoridades policiais. De acordo com o deputado, alguns depoimentos colhidos pela CPI deixaram claro que o esquema de tráfico de menores atua junto ao tráfico de drogas.A comissão pede à Fifa adote oito procedimentos para coibir o tráfico de jogadores. Entre essas medidas estão a de regulamentar a transferência de atletas menores de um país para outro e a de punir os clubes coniventes com a tranferência irregular de atletas.O presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP), informou que os dois relatórios foram apresentados ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, na semana passada, em Zurique, Suíça, no encontro de que também participaram o relator Silvio Torres (PSDB-SP) e os deputados Jurandil Juarez e Eduardo Campos.Na viagem à Europa, os parlamentares também entregaram cópia do relatório sobre o tráfico de menores a uma subcomissão do Senado Belga que investiga o tráfico de pessoas. Eles ainda ouviram o depoimento do oficial de chancelaria da embaixada brasileira em Bruxelas, Otávio Monteiro de Barros, acusado de intermediar a venda de jogadores menores para clubes europeus.Segundo Jurandil, ele não conseguiu se defender. Monteiro de Barros confirmou ter participado da negociação do passe do goleiro Pablo para o Saint Germain, por US$70 mil, e do jogador Jefferson para o Lence, por US$10 MIL. O funcionário da embaixada disse aos deputados que esse dinheiro foi depositado em sua conta, a pedido dos atletas, mas que nada recebeu pela transação. O Itamaraty informou à CPI que Monteiro de Barros está sendo removido daquela embaixada, sem entrar em outros detalhes sobre a sua participação ou não na transação de jogadores brasileiros.

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