CPI pede indiciamento de 33 pessoas

O relatório do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), apresentado hoje na CPI da CBF/Nike, propõe ao Ministério Público que providencie o indiciamento de 33 pessoas investigadas pela comissão. Estão na relação o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o sócio de Pelé na empresa Pelé Sports, Hélio Viana, e os dirigentes de 21 federações de futebol, entre eles os presidentes da federação paulista, Eduardo José Farah, e da federação de Tocantins, senador Leomar Quintanilha (PPB-TO). Eles e seus colegas do Acre, Amapá, Amazonas, Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santas Catarina são acusados pelo relator de terem cometido crime contra a ordem tributária. Marcada para a próxima terça-feira, a votação do relatório deve resultar num fato único na história das investigações parlamentares: para evitar que ele venha a ser mutilado ou rejeitado, o presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (Pcdo B-SP), deve retirá-lo de pauta. Significa na prática que a comissão vai terminar sem dispor de um documento oficial com o resultados das apurações realizadas nos últimos oito meses. Ricardo Teixeira, é citado no relatório como suspeito de ter infringido a lei em 13 oportunidades, durante o seu mandado de 12 anos. Os casos, relacionado um a um, referem-se a sonegação, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Silvio Torres também propôs o indiciamento do empresário Juan Figer, por sonegação e evasão de divisas. Os mesmos delitos são apontados contra Hélio Viana. Os demais indiciamentos atingem dirigentes do Clube Americano de Bacabal, no Maranhão, diretores da CBF e um único jogador, Georlan Gomes Bastos, conhecido por Gil, pelo uso de documentos falsos. Silvio Torres disse que não encontrou ilegalidade no contrato da CBF com a Nike, mas pediu ao Ministério Público que abra uma ação civil pública para "aprofundar" itens do documento que considera prejudicial ao futebol brasileiro. Citou com exemplo a iniciativa da confederação de entregar prerrogativas suas à empresa patrocinadora, como a de escalar os jogadores nos chamados "amistosos da Nike". O deputado pede ainda no relatório que seja apurada a responsabilidade de políticos e de outros que receberam da CBF doações eleitorais indevidas. Ele cita, entre outros, os nomes dos deputados Carlos Santana (PT-RJ), Delfim Neto (PPB-SP), Eurico Miranda (PPB-RJ) e Darcísio Perondi (PMDB-RS) e dos senadores José Agripino Maia (RN), Hugo Napoleão (PI), ambos do PFL. Marcada para as 16 horas, o relatório do deputado Silvio Torres (PSDB-SP) só chegou às mãos dos deputados três horas mais tarde, quando já tinham sido desligados o ar condicionado e as luzes do corredor das comissão. O fato aumentou ainda mais a má vontade de boa parte dos deputados para com as medidas propostas por Torres. Eles protestam sobretudo pelo pedido de indiciamento contra Ricardo Teixeira, que movimentou um grande lobby contra a CPI, e de Hélio Viana, por acreditarem que a iniciativa pode atingir Pelé.

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