CPI prevenida contra jogo de cartolas

Os cartolas do futebol vão centrar seus esforços para impedir que a CPI do Senado consiga apresentar o seu relatório no dia 6 de novembro, como está previsto. Essa é a avaliação de assessores da Comissão, após a divulgação da fita de uma conversa do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, com presidentes das federações estaduais, na qual Teixeira deixa claro que é preciso fazer tudo que estiver ao alcance para evitar que a CPI conclua seus trabalhos. O relator da Comissão, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), já requisitou à Rádio Gaúcha uma cópia da fita, que deve estar sendo entregue a ele nesta terça-feira.Althoff adiantou que as ofensas pessoais dirigidas a ele não serão respondidas, mas disse que a mesma atitude pode não se repetir em relação ao Senado. "Se os senadores acreditarem que as declarações do presidente da CBF denigrem a imagem da instituição e colocam em dúvida a própria integridade dos parlamentares, poderão solicitar uma retratação ou outra providência cabível".O senador não acredita em manobras de bastidores para prejudicar a votação do seu relatório, prevista para o dia 6 de novembro. O relator descarta a repetição da mesma cena ocorrida na Câmara, quando os deputados integrantes da chamada "bancada do futebol" tumultuaram a votação do relatório final da CPI da Nike e chegaram a apresentar um relatório substituto, que retirava todos os indiciamentos contidos no relatório original. "São situações distintas, eu não me preocupo quanto à possibilidade de um boicote ao meu relatório".Um assessor da CPI confirma que as pressões de bastidores poderão se intensificar nesses últimos dias, mas que não existe no Senado uma bancada do futebol tão orgânica e explícita como a que existia na Câmara. ?Aqui, os interesses são mais pontuais e transitórios?, alegou esse assessor.O depoimento de Teixeira está previsto para o dia 02 de outubro. Ele terá que trazer todos os documentos referentes à sua gestão no comando da entidade e sua participação em outras empresas, como sócio ou acionista. Essas dados já foram requeridos pela CPI na semana passada. "Ele não poderá chegar aqui e dizer que depois envia os dados; terá que tê-los na mão na hora do depoimento", garantiu um assessor da CPI.

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