CPI próxima do ?paraíso? do Flamengo

Os integrantes da CPI do Futebol no Senado têm fortes indícios de que a conta do Flamengo encontrada nas Ilhas Caymann foi aberta pelo atual advogado do clube, Dunshee de Abranches, na época em que este era presidente do Flamengo, no início dos anos 80. A existência da conta, que possui um saldo de US$ 908 mil, foi negada pelo presidente Edmundo Santos Silva durante depoimento na CPI, na semana passada. Mas um relatório da Delloite, empresa de consultoria contratada pelo próprio Flamengo para auditar as suas finanças, confirmou a existência da conta e a ausência de registro da mesma junto ao Banco Central.Os senadores vão encaminhar hoje ao Banco Central e à Receita Federal o relatório da Delloite para que se abra uma investigação por suspeita de evasão de divisas e remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Vão pedir também que os trabalhos sejam acompanhados pelo Conselho de Controle de Atividade Financeira (COAF), órgão ligado ao Ministério da Fazenda e que acompanha casos de lavagem de dinheiro e evasão fiscal e de divisas. A CPI decidiu convocar novamente o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, e o advogado, Dunshee de Abranches, para depôr no final do mês. Os senadores devem convocar também o empresário Reinaldo Pitta, já que uma nota divulgada no jornal O Globo afirma que o depósito na conta do paraíso fiscal foi feito pelo empresário carioca, referente à compra do passe do apoiador Beto junto ao Napoli, da Itália.Não é só sobre a conta que Abranches terá que se explicar. A CPI vai requerer nesta terça-feira cópia da fita de uma entrevista do advogado durante um programa esportivo na CNT, no domingo à noite, na qual ele ofende o Senado e os senadores. ?Além do fato de as declarações demonstrarem o total desconhecimento do advogado a respeito da ordem jurídica nacional, deve-se destacar que o mesmo é um dos investigados da CPI?, afirmou o relator Geraldo Althoff (PFL-SC). O senador não descarta a hipótese de uma ação judicial contra o advogado, a exemplo da que está sendo estudada contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, baseada na conversa deste com os presidentes de federações estaduais.O relator da CPI não poupou críticas ao advogado do Flamengo. Para o senador, Abranches demonstrou, em sua entrevista, não estar acompanhando os trabalhos da CPI. ?Ele afirma que o Flamengo tem garantias sobre seus sigilos fiscal e bancário, mas este foi quebrado, baseado em requerimentos feitos em março deste ano, aprovados pelo próprio STF. Desde então, tanto o Banco Central quanto a Receita Federal passaram a remeter os dados do Flamengo e de seus dirigentes?.Abranches também alegou durante a entrevista que o Flamengo é uma instituição privada, portanto, fora da órbita de atuação de uma CPI. ?Sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro são crimes afetos à área pública, portanto, perfeitamente relacionados á órbita de investigação constitucional do Senado Federal?, conclui o senador.

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