CPI: relator pede intervenção na CBF

O deputado Silvio Torres (PSDB-SP) continua em sua cruzada para provar que a CPI da CBF/Nike, que consumiu oito meses de trabalho e provocou suspense nos meios esportivos, não terminou em pizza. Nesta sexta-feira, em solenidade pública na cidade de Mococa, interior paulista, o relator da CPI pediu ao ministro dos Esportes, Carlos Melles, que intervenha na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nas federações de futebol de Minas Gerais e do Maranhão.Silvio Torres reconhece que, legalmente, o ministro Carlos Melles não tem poderes para a intervenção, mas está convicto de que "há um clamor público" pela intervenção. "O ministro tem meios para desenvolver gestões políticas e seria bem-sucedido, porque Ricardo Teixeira (presidente da CBF) não conta com mais nenhum apoio."O relatório de Torres já foi repassado ao senador Álvaro Dias, presidente da CPI do Futebol, que prometeu utilizá-lo em suas investigações.Além da intervenção na CBF, Silvio Torres e o presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), entregarão cópias do relatório final da comissão - que acabou não sendo aprovado na tumultuada sessão de quarta-feira - a representantes do Ministério Público de Brasília e do Rio para que os promotores investiguem as irregularidades apontadas. "A CPI não terminou em pizza porque foram levantados fatos consistentes, reais. Não houve julgamento político de ninguém, mas sim um trabalho técnico e objetivo", defendeu o relator.Entre as 13 irregularidades encontradas na CBF, a CPI aponta má aplicação dos recursos financeiros da entidade, empréstimos ilegais de dinheiro no exterior, pagamento indevido de salários a 11 diretores e até suspeita de ter sido criminoso o incêndio na Granja Comary, em Teresópolis, em 99, no qual foram destruídos importantes documentos da contabilidade da entidade entre 1985 e 1994. "Acho que a polícia deveria investigar esse incêndio. Casos semelhantes levam a conclusões semelhantes", afirmou o deputado Silvio Torres.Na Federação de Minas teria sido constatado desvio de dinheiro na administração de Elmer Guilherme. Na do Maranhão, a conivência com empresários que "esquentavam" documentos de jogadores que seriam transferidos para outros clubes do Brasil e do exterior com idades adulteradas, os "gatos" do futebol.Silvio Torres disse não ter recebido resposta afirmativa do ministro Carlos Melles, mas ouviu muitos elogios ao trabalho da comissão e tem esperanças de que o Ministério aja contra Ricardo Teixeira, a quem classifica como "pessoa que realizou administração totalmente inconseqüente, desastrosa, e que nunca poderia ter sido presidente" da CBF. "O ministro disse que o futebol brasileiro precisa de reformas urgentes, de mudanças em sua estrutura", afirmou o deputado. A Agência Estado tentou, sem sucesso, contato com o ministro Carlos Melles e com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no final da tarde desta sexta-feira.Lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e evasão fiscal são os nomes genéricos das irregularidades apontadas no relatório de Silvio Torres. Na prática, a CPI descobriu, por exemplo, que a CBF estaria pagando salários a 11 diretores, mesmo impedida pelo estatuto. Outra irregularidade seria o repasse aos cofres da entidade de gastos de R$ 275 mil a advogados que defendem Ricardo Teixeira em processos contra a pessoa do dirigente. Os gastos com a mansão alugada em Brasília para fazer lobby no Congresso consumiram R$ 1,3 milhão em três anos.

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