CPI: Senado espera vitória por 10 a 2

O parecer do relator da CPI do Futebol, Geraldo Althoff (PFL-SC) deve ser aprovado na próxima semana por 10 votos a 2. A previsão é do senador Antero de Barros (PSDB-MT), membro da comissão. Segundo ele, o resultado vai mostrar que fracassaram as tentativas de dirigentes de futebol de boicotar as apurações, iniciadas em outubro do ano passado. A articulação para chegar a essa previsão de placar não foi fácil. Houve a participação do ministro do Esporte, Carlos Melles, dos líderes e do presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS). Partiram deles os argumentos para desmotivar titulares e suplentes da comissão que, nos últimos dias, ameaçavam rejeitar o relatório para atender aos interesses da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A suspeita de que essa ligação poderia ter relação com a promessa de ajuda financeira nas eleições foi denunciada na tribuna pelo presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PDT-PR). A articulação só não teria convencido aos senadores Gilvan Borges (MA) e João Alberto (MA), ambos do PMDB. Eles asseguram que vão votar como manda a consciência e não em troca de qualquer tipo de favor, por entenderem que as investigações foram feitas de forma facciosa e direcionada. Embora sejam titulares, os dois senadores participaram muito pouco dos depoimentos realizados pela comissão. Já o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), ex-representante da CBF na região Centro-Oeste, garantiu que vai aprovar o relatório da CPI, "desde que não seja de água com açúcar". "Tem de ser um relatório apimentado", defendeu. "Todo mundo sabe, o Brasil inteiro sabe que há corrupção nas federações e clubes", justifica. Maguito lamentou que a CPI não tenha investigado as empresas do ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, e de seu ex-sócio Hélio Vianna. "Ele fez muito trambique por aí, com essa onda de rei do futebol", sustenta Maguito. "Como atleta foi o mais perfeito do mundo, mas como empresário, deixa a desejar." A CPI do Futebol investigou operações suspeitas realizadas por dirigentes de clubes, das federações e da Confederação Brasileira de Futebol. O relator Geraldo Althoff (PFL-SC) pedirá ao Ministério Público que indicie cerca de 15 pessoas por injúria e pela prática de crime contra o sistema financeiro e tributário, como lavagem de dinheiro, evasão e sonegação. Parte do que foi apurado, com a respectiva documentação, já se encontra em poder do Banco Central e da Receita Federal para que procedam à cobrança de impostos devidos por recursos desviados. Para Antero de Barros, a vitória da CPI contra o poderoso lobby dos "cartolas" favorece a imagem do Senado. "A instituição não pode ser comparada a um mercado persa", defendeu. Segundo ele, o constrangimento imposto pela bancada da bola a integrantes da CPI superou os limites tolerados no Congresso. Barros acusou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de "montar um quartel-general em Brasília" para comandar a pressão aos parlamentares. Como prova, contou que foi procurado por um intermediário que propunha um encontro com o dirigente. Mas a conversa não se concretizou porque ele sugeriu que o encontro se realizasse em seu gabinete e que tivesse a cobertura da imprensa. Assessores de Teixeira negam a informação. Segundo eles, o presidente da CBF, ao contrário, sempre procurou colaborar com a comissão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.