CPI tem agenda apertada e decisiva

Relatório concluído e aprovado por unanimidade após mais de um ano de trabalho. Comemoração, sentimento de dever cumprido e tapinhas nas costas. Terminou o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, instalada no Senado? Ainda não. O momento, digamos, é de intervalo. O ?segundo tempo? está prestes a começar e, ao que tudo indica, vai ser tão importante quanto o que se passou até aqui.E tudo começa na terça-feira. Nesse dia, o presidente da comissão, senador Álvaro Dias (PDT-PR), e o relator Geraldo Althoff (PFL-SC), têm encontro marcado com o ministro dos Esportes e Turismo, Carlos Melles. A reunião servirá para formalizar a entrega do anteprojeto sobre a Nova Legislação para o Desporto.A expectativa dos senadores é que, após receber o documento, o ministro interceda junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso para que o projeto seja subescrito como Medida Provisória. Como Projeto de Lei, demoraria muito para entrar em vigor. Na sexta-feira, o presidente já mostrou disposição em colaborar.Agenda apertada - A quarta-feira promete ser ainda mais movimentada para os representantes da CPI. Pela manhã, a visita será feita ao chefe do Ministério Público Federal (MPF), Geraldo Brindeiro. Se fosse uma corrida de revezamento, esse momento seria uma espécie de ?passagem do bastão?. Como não tem poderes para punir os 17 envolvidos no relatório, a CPI investigou, apurou e juntou provas. Todas serão repassadas ao MPF, que se encarregará de abrir os respectivos processos.De acordo com o presidente da comissão, esse é um dos pontos mais preocupantes. Tradicionalmente, o Ministério Público tem se mostrado lento no encaminhamento dos processos. "De fato isso (a demora) tem sido observado. Por isso precisamos tanto do apoio da opinião pública, para que esse episódio não caia no esquecimento."À tarde, será a vez de o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), receber os dois senadores. Na pauta do encontro, além da entrega de uma cópia do relatório, tanto Dias quanto Althoff vão reforçar o pedido de abertura de uma representação contra o deputado federal Eurico Miranda (PTB-RJ).Espera-se, nesse caso, que a Comissão de Ética volte a funcionar. E, baseados em acontecimentos recentes, como os casos de Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Luís Estevão, que hoje estão longe do Senado, prevalece o otimismo. "Diante de tudo o que levantamos sobre o deputado Eurico Miranda, não vejo outra alternativa senão a cassação do mandato", disse Dias. O desafio, agora, é levar essa partida até o fim.

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