CPI terá ajuda para rastrear fraudes

A empresa norte-americana Kroll, especializada no rastreamento de operações sigilosas fraudulentas, vai ajudar nas apurações da CPI da CBF/Nike a respeito dos seis empréstimos feitos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Banco Delta. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, foi o avalista das operações que somaram US$ 40 milhões.A decisão foi tomada diante da constatação de que Teixeira mentiu à comissão ao justificar os juros extorsivos pagos pela CBF. O presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), suspeita de que as transações encobririam um esquema de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro. Ricardo Teixeira disse aos parlamentares que o governo de Minas Gerais e sete empresas teriam feito empréstimos, na mesma época, com juros semelhantes aos que foram pagos pela CBF.Chegou mesmo a apresentar um quadro em que os valores desses juros variavam de 36% a 50,36%. Só que as empresas e o governo mineiro, que segundo ele teriam pago juros de 47,57%, negaram a informação. Além de que, informações sigilosas recebidas do Banco Central comprovam a disparidade entre os juros de até 52,1% pagos pela CBF e os que foram pagos por 46 outras empresas. A entidade, por exemplo, pagou juros nesse valor pelo empréstimo de US$ 7 milhões feitos dia 20 de outubro de 1998. Seis dias antes, uma conhecida empresa de consultoria pagou juros de apenas 10% pelo empréstimo de US$ 1 milhão. No mesmo ano, uma corretora de seguro obteve US$ 70 mil do Delta pagando ao ano juros de apenas 1,5%.A suspeita de que não se trata de simples operações de crédito foi reforçada pelas cartas enviadas à CPI por representantes do banco. O advogado Roberto Rosas informou que a concessão de empréstimos não faz parte dos serviços do Delta, que se limitaria a fazer a intermediação entre "o tomador e instituições e/ou investidores do mercado financeiro". Um dia após o depoimento de Ricardo Teixeira, o vice-presidente do banco, Newton Bleffe , mandou outra carta à comissão desmentindo o advogado e dizendo que os empréstimos foram realmente concedidos à CBF.Se depender dos deputados aliados à CBF, integrantes da chamada "bancada da bola", essa contradição não será esclarecida.Eles conseguiram derrubar hoje, por 14 votos contra 10, o requerimento convocando Bleffe para depor. Para o deputado Doutor Rosinha (PT-PR), a articulação em favor de Ricardo Teixeira só aumenta a certeza de que a comissão está diante de um típico caso de lavagem de dinheiro. Sem a presença de um ídolo capaz de atrair os holofotes da mídia, foi a primeira vez que compareceram a uma reunião quase todos os integrantes.Dos 25 faltou apenas um à sessão secreta que votou a proposta. O deputado Pedro Celso (PT-DF) adiou para hoje a votação de seu requerimento convocando para depor o advogado Roberto Rosas. Ele justificou o adiamento alegando que estava tentando escapar do "esquemão armado pela CBF, Delta e a bancada da bola". Fiel aliado de Teixeira, o deputado José Lourenço (PMDB-BA) atribuiu a rejeição da proposta ao fato dele e de seus colegas terem se organizado.

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