CPI vai denunciar Farah

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e futuro dirigente da Liga Rio-São Paulo, Eduardo José Farah, será denunciado pela CPI do Futebol por suspeita de apropriação indébita. Foi esta a conclusão a que chegaram os senadores, após ouvi-lo por quase três horas. O dirigente não conseguiu convencê-los de que agiu corretamente em episódios ligados à federação. Suas respostas se confrontaram com documentos que estão em poder da comissão e com as declarações que ele deu em maio, na primeira vez em que depôs no Senado. Para mostrar suas contradições, o relator Geraldo Althoff (PFL-SC) exibiu tapes do depoimento anterior.Em uma das cenas, Farah aparece assegurando que "nunca recebeu remuneração da federação". O pagamento é proibido por lei porque a FPF goza de isenção fiscal. Althoff disse que a negativa do dirigente não convencia à CPI, que constatou ter ele recebido da entidade, em 1996, 12 depósitos mensais no valor de R$ 15 mil cada um, quando um real equivalia a um dólar.O relator disse que os cheques começaram a ser depositados na sua conta do Banco Itáu em abril, mês da aprovação de uma ata da assembléia-geral da federação que determinava o pagamento ao presidente de uma verba de representação no valor de US$ 15 mil. O valor na época correspondia a R$ 15 mil. "No primeiro mês, como estava previsto na ata, foram depositados os valores retroativos a janeiro, somando no total R$ 60 mil", informou o relator.Farah disse que os cheques foram emitidos como reembolso de despesas, mas não explicou que gastos seriam esses. O dirigente tampouco admitiu ter sido beneficiado por sete depósitos mensais, no mesmo valor de R$ 15 mil, emitidos pela federação em 1997. Os cheques dessa vez eram nominais à empresa JRQ Representações, mas teriam sido endossados a ele.Atrás de cada um deles consta o número de sua conta no Itaú.Althoff informou que essa empresa, que atuaria como representante de Móveis Todeschini, funciona num apartamento localizado em Olário, no Rio de Janeiro. Farah disse que não se lembrava desses depósitos.O dirigente também não soube explicar aonde foram parar os R$ 163 mil depositados pela federação como caução num processo movido contra ele pela Receita Federal. A CPI descobriu que o dinheiro liberado ao final da ação, não voltou aos cofres da entidade. Farah disse achar normal o fato da FPF bancar os custos de ação contra ele. "Afinal, se eu não fosse o presidente da federação, ninguém saberia que eu existo", justificou.Ele assegurou aos senadores que não procede a informação da Receita Federal quanto a não entrega da declaração de renda da FPF nos anos de 1996 e 1997. "Foi um erro interno da Receita", rebateu, pedindo em seguida a seus assessores que providenciasse ali mesmo o envio à CPI, por fax, do comprovante da entrega das declarações. A sessão terminou sem ter aparecido o tal comprovante."Ele deve estar se sentindo constrangido", comentou o presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PDT-PR), ao final do depoimento. O relator Geraldo Althoff condenou o procedimento do dirigente por entender que ele, mesmo diante de documentos, "optou por apresentar desculpas poucos convincentes".

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