Carl Recine/Reuters
Carl Recine/Reuters

Craque da Croácia, Modric vive sob desconfiança por caso mal explicado com cartola

Camisa 10 tem relação de amor e ódio com torcida croata por envolvimento com dirigente metido em corrupção

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 05h00

Capitão, camisa 10 e com toque refinado. Dentro de campo, poucos discutem o talento de Luka Modric na Copa do Mundo da Rússia, mas o meia tem de conviver com uma sombra que paira sobre ele e o futebol croata: o caso Zdravko Mamic. 

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Este ex-dirigente do Dínamo de Zagreb, considerado há anos como o mandachuva do futebol local, foi condenado em junho a seis anos e meio de prisão por corrupção e desvio de dinheiro em transferências de atletas, uma delas a de Modric.

Ao tribunal, o craque explicou ter assinado um acordo com Mamic em 2004, prometendo metade dos lucros de uma eventual transferência futura. Mas, em 2015, disse que esse anexo foi assinado retroativamente quando já estava jogando pelo Tottenham.

Por mudar de versão, foi indiciado pela Justiça croata por falso testemunho em março, ou seja, alguns meses antes de jogar na melhor campanha da Croácia numa Copa desde 1998. Sua frase dizendo que “não se lembrava” de detalhes específicos desse acordo com o cartola acabou pegando mal no país.

“Luka, você vai se lembrar deste dia”, diz uma pichação na entrada do hotel Zadar, onde a família de Modric viveu como refugiada da guerra de independência da Croácia (1991-1995).

“Conhecendo Luka e sua personalidade (...) Estou convencido de que superará tudo isso e vai estar no seu nível quando necessário”, disse o técnico da Croácia, Zlatko Dalic, antes do começo do Mundial russo.

PESADO

O assunto incomoda não só o próprio camisa 10 como seus companheiros de time.

 

No dia 11 de junho, os jogadores Kramaric e Pivaric foram questionados em entrevista coletiva sobre o impacto do caso Mamic e suas implicações para o desempenho de Modric.

O chefe da comunicação da delegação, Tomislav Pacak, pediu que fossem feitas apenas perguntas sobre a Copa. Kramaric falou, então, que “o ambiente dentro da equipe era bom” e que “o resto não tinha absolutamente nenhuma influência”.

Já antes do jogo diante da Nigéria, pela primeira rodada da fase de grupos, foi Modric quem se viu diante de perguntas desconfortáveis. Irritado, ele não escondeu o incômodo. “Você não tinha nada mais inteligente para perguntar?”, disparou. “É Copa do Mundo, não é momento de falar sobre outras coisas. Quanto tempo você ficou se preparando para fazer uma pergunta desse tipo?”, indagou o astro do Real Madrid.

Por enquanto, ele vem tendo desempenho inconstante. Autor de um gol contra a Nigéria e outro diante da Argentina, na fase de grupos, caiu de rendimento nos mata-matas. Perdeu, por exemplo, um pênalti na prorrogação das quartas de final frente à Dinamarca.

“Ele trabalhou muito bem e muito duro para chegar a esse nível, é nosso capitão, nosso líder e nós sabemos disso”, comentou o atacante Mario Mandzukic, na segunda-feira./AFP

 

 

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