Alex Silva e Gabriela Bilo/Estadão
Mauricio Galiotte e Genaro Marino Neto vão disputar a preferência dos sócios do Palmeiras Alex Silva e Gabriela Bilo/Estadão

Crefisa polariza discurso de candidatos à eleição no Palmeiras

Mauricio Galiotte e Genaro Marino têm como principais divergências a forma de relação com patrocinadora

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2018 | 17h00

Os sócios do Palmeiras escolhem neste sábado o novo presidente do clube. O atual mandatário, Mauricio Galiotte, enfrentará o antigo vice e agora adversário, Genaro Marino Neto. Quem ganhar, será empossado para um mandato de três anos e terá de lidar com questões como o planejamento do time para 2019, o relacionamento com o Allianz Parque e, principalmente, com a Crefisa.

A patrocinadora, comandada pelos conselheiros Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, é o principal tema de divergências entre os dois candidatos. Galiotte defende a continuidade do projeto com a empresa e promete renovar o contrato se eleito. Já Genaro, cobra do clube uma postura diferente, por entender que nos últimos tempos o Palmeiras se tornou muito dependente e refém das vontades da Crefisa.

A principal novidade desta eleição é o tempo de mandato. Em maio o Conselho Deliberativo do clube aprovou a mudança no estatuto para alterar a gestão de dois para três anos. Galiotte foi defensor da medida, sob a justificativa de dar mais governabilidade e tempo para o comandante trabalhar. Por outro lado, os críticos, como Genaro, entenderam que a mudança não poderia valer já a partir deste pleito.

Os bastidores do Palmeiras têm como apoiadores dos candidatos importantes nomes da política do clube. Os ex-presidentes Paulo Nobre e Mustafá Contursi estão do lado de Genaro. A patrocinadora Leila Pereira é uma das principais aliadas de Galiotte, para quem, inclusive, tem feito campanha em eventos nas últimas semanas.

As eleições são no sábado, das 8h às 17h, na sede do Palmeiras. O resultado deve sair por volta das 17h40. Nos últimos dias o Estado realizou entrevistas exclusivas com os dois candidatos sobre as principais propostas e pontos polêmicos da gestão do clube.

 

 

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'Quero trazer Paulo Nobre para minha gestão', diz Genaro Marino

Candidato de oposição à presidência do Palmeiras quer rever relação do clube com a patrocinadora, a Crefisa

Entrevista com

Genaro Marino Neto

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2018 | 17h00

O candidato de oposição à presidência do Palmeiras, Genaro Marino Neto, quer que o clube repense a forma como se relaciona com a Crefisa. O ex-vice de Mauricio Galiotte afirma que a atuação da dona da empresa, Leila Pereira, pode gerar conflitos por ela ser também conselheira. Na entrevista ao Estado, realizada na sede do Palmeiras, Genaro também revelou o plano de contar com o ex-presidente Paulo Nobre.

Quais as suas principais propostas?

Nossa principal proposta é manter o programa de governo que iniciamos em 2013. O clube na época estava em uma situação bem diferente, com recursos financeiros escassos e na Série B. Fizemos um programa de governo com três pilares: ética, transparência e autossustentabilidade. Queríamos que esses eixo fosse mantido. Infelizmente, no início de 2017 para cá começamos a ter um desvio dessa rota. Por isso, neste ano resolvi me candidatar e trazer de novo o que entendo ser mais adequado. Sempre baseado no profissionalismo, na meritocracia, cumprir o estatuto, algo que não houve nesses dois anos.

O que houve de errado?

Em novembro de 2016, quando Paulo Nobre viu que a Leila Pereira estava votando dentro do clube, ele estranhou. Ela havia se tornado sócia em 2015. Nosso estatuto preza que para votar precisava ter três anos de clube e para ser votado, oito anos. O presidente pediu um parecer jurídico. Dois advogados deram parecer que ela não tinha condição de participar. Nobre recusou a proposta interna pela participação de sócia anterior a esse período. Mas o Mauricio assumiu e aceitou a solicitação. Se o presidente anterior recusou, como o sucessor, do mesmo grupo político, pensou diferente? De lá para cá começou a se falar que somos contra o patrocinador. Somos a favor de ter patrocínio, mas não da forma como é, contra o estatuto.

O Palmeiras se tornou dependente da Crefisa?

O clube tem quatro receitas. A TV é a principal, com 20%. Cerca de 15% é bilheteria. Em terceiro, está a Crefisa, com 13,5% do nosso faturamento total. E o resto é o sócio torcedor, o Avanti, que caiu quase 40% nos últimos anos. Como temos quatro receitas, a minha preocupação é por que existe toda essa embriaguez com a Crefisa? Ela é 13,5%. E nós aqui somos pressionados e ameaçados sobre o risco dela ir embora.

O senhor renovaria contrato com a Crefisa?

Como instituição, sim. Como parceira, podemos dar até algum título específico, de ser diretor especial patrocinadora, de ter um cargo, para ajudar no marketing. Eu não preciso forjar uma situação. O dirigente tem que fazer a coisa certa. A instituição não pode estar à mercê de uma situação. Por que oferecer um clube para conflito de interesses? Na hora de conversar agora, ela vai negociar como conselheira ou como patrocinadora? Na eleição é só eu e o Mauricio, não sou eu contra a Leila. Mas se fala tanto dela, por conta da fragilidade do nosso presidente em relação a esse tema. Ele participou desse processo dela se tornar conselheira, que se tornou refém dela. Quem faz campanha para ele é a Leila. Mas atua como conselheira ou como patrocinadora? É uma relação complicada. 

Então o Palmeiras pode abrir mão dela?

Na Europa, o Milan e o Inter foram comprados por chineses e já foram devolvidos. O que move um clube é a paixão, não só a parte econômica. Eu vejo que os donos da Crefisa falam em ter amor pelo Palmeiras, mas para mim não é um amor de quem vem desde pequeno torcendo, dentro de uma tradição familiar. Está na hora do Palmeiras dar uma repensada para manter nossa locomotiva no nosso trilho.

O Paulo Nobre participaria na sua gestão?

Sim. A figura dele nas instituições é interessante. Em instituições como CBF e Conmebol, ele é visto como uma pessoa pró-ativa. Paulo poderia ajudar o Palmeiras nessa área de relacionamento, com a CBF, com a Fifa, com a Conmebol. Quem foi presidente e passou pelo clube, não precisa ter uma cargo específico. Ele seria um CEO para atuar nas finanças e nas negociações. Vamos trazer quem tem qualidade para nos ajudar.

E o Mustafá pode participar?

Não. Nossa chapa no clube é até criticada por ser "chapa pura". Somos todos do mesmo grupo político.

Como deve ser a relação do Palmeiras com o Allianz Parque?

Nós devemos desenvolver um grupo para administrar. Já vimos que fora do país as arenas têm capacidade de trocar o gramado rapidamente. É sofrível a condição do gramado. Temos que discutir se precisamos melhorar o piso do jogo, como pegar uma área nossa para ajudar. Muitas áreas da arena não estão terminadas ainda. Tinha um projeto de restaurante no último andar, um projeto para devolver nossas áreas de bocha e boliche.

 

 

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'A parceria com a Crefisa é fundamental', diz presidente do Palmeiras

Candidato à reeleição no clube afirma que manter vínculo com patrocinadora ajuda o time a sonhar com títulos

Entrevista com

Mauricio Galiotte

Ciro Campos, Glauco de Pierri, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2018 | 17h00

O atual presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, defende a manutenção do formato da parceria do clube com a Crefisa. Em entrevista exclusiva ao Estado na Academia de Futebol, o mandatário defendeu que a participação da empresa é importante para a equipe continuar a contar com reforços, estrutura, investimento e conseguir repetir nos próximos anos os bons resultados recentes obtidos nas competições.

Quais as suas principais propostas?

Nossa proposta é dar continuidade à gestão profissional que implementamos em 2013, manter o futebol protagonista, participar de todos os campeonatos em condição de disputar o título, como foi neste ano, equilíbrio e responsabilidade financeira, transparência, aprovação de contas. Investimento em modernização. Isso serve para o futebol, como para o clube social, com reformas. O que eu gostaria de deixar de legado o Palmeiras como referência em termos de processo e metodologia e inspirar as crianças.

Como seria a relação com a Crefisa?

A Crefisa é um grande parceiro, foi fundamental para o Palmeiras em 2015, quando assinaram o contrato, faz com que o Palmeiras possa ter projetos audaciosos, potencializa nossa marca. Queremos, sim, contar com eles e a FAM no nosso projeto. Se a Crefisa não continuar, é óbvio que o Palmeiras é eterno e vai sobreviver. O ponto é que muda completamente o tamanho do projeto, muda aonde o Palmeiras quer chegar. Qual o Palmeiras que a gente quer? Por isso, a parceria é fundamental.

E como seria a relação com a WTorre?

A arena foi um divisor de águas. Temos um torcedor que sente orgulho pela arena. É um fator motivacional, diferencial competitivo, fonte de receita extremamente importante para nosso projeto, para o futuro do Palmeiras. Estamos aqui para trabalhar em prol do grupo, para zelar por nossos interesses. Temos assuntos tratados com arbitragem, para que possamos evoluir, achar um denominador comum. O Palmeiras precisa ter benefícios em todas essas situações.

Se for reeleito, vai renovar com a Crefisa?

Se eu for reeleito, o contrato será renovado por mais três temporadas. Tudo o que eu puder fazer para a Crefisa ficar no Palmeiras, eu farei. Seja como presidente ou não. Temos que pensar no clube, na instituição. Estamos aqui para fazer o Palmeiras crescer. E a Crefisa é extremamente importante para o projeto do Palmeiras.

Como o senhor lida com críticas sobre a dependência do clube para com a Crefisa?

Houve muito desgaste, desde que a Crefisa chegou. Eu participei, intermediei, solucionamos a grande maioria dos problemas. O mais importante foi a manutenção da Crefisa no Palmeiras para que o projeto continuasse audacioso. Quero, sim, que ela continue no Palmeiras. O clube tem várias fontes de receita, uma diversificação de receitas. Temos o patrocinador, a televisão, arrecadação das partidas, clube social, produtos licenciados, vendas de jogadores, temos um leque de receitas. Temos todas essas fontes de receita e vamos buscar outras. Crefisa é um grande parceiro. Eles em nenhum momento participaram de decisões estratégicas ou de processos internos. Absolutamente, nada. São parceiro que quando a gente demanda, fazem sempre o que podem para contribuir com o Palmeiras.

Pretende acabar com o cerco ao redor?

Também tenho saudade dessa festa. Participei durante muitos anos, chegando ao clube, com aquela multidão de palmeirenses vibrando. Essa situação marca muito para o palmeirense. Depois da inauguração da arena, fomos chamados pelas autoridades como Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar, que nos apresentaram um número muito grande de ocorrências em dias de jogos. Por isso teve a ideia do cerco. O clube não tem essa autonomia. Nós temos de respeitar. Hoje praticamente não temos praticamente nenhuma situação de roubo de celular ou de carteira.

O senhor tem como adversários antigo vices e aliados. Ficou surpreso com isso?

Não. Desde o início eles se posicionaram claramente contra a situação que envolve a patrocinadora. Eu tratei o tema de maneira democrática. Eu abri para o Conselho Deliberativo a votação sobre o tempo dela como sócio do clube. Então, o tema foi votado. Eles se posicionaram claramente com relação a isso. Hoje se posicionarem como oposição é um tema natural

Já conversou com o diretor de futebol Alexandre Mattos sobre renovar?

O Alexandre Mattos é seguramente um dos melhores profissionais que atuam no futebol. O currículo dele responde isso. As equipes que ele monta são fortes, disputam títulos. Caso for eleito, minha ideia é renovar com ele, para que ele fique mais tempo no Palmeiras. Falei para ele que minha ideia é que fique. O Alexandre me passou uma expectativa parecida, gostaria de ficar conosco. Agora, temos de aguardar quem será o próximo presidente. Nossa ideia é renovar com o Mattos.

 

 

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