Cresce clima de tensão no Palmeiras

A derrota para o São Caetano, pela Libertadores da América, mudou radicalmente - e para pior - o ambiente do Palmeiras. Os jogadores estão preocupados com a possibilidade de ficarem dois meses apenas treinando e já se reuniram para discutir o assunto. O técnico Celso Roth aponta vários fatores que levaram o time à derrota, mas sempre aponta falhas individuais ou coletivas. Culpou Fábio Júnior, que perdeu gol, Taddei, que não entendeu suas instruções, e disse que o São Caetano teve "mais vontade" de vencer. Ele não admite ter falhado na armação do time ou nas substituições. O prejuízo financeiro é outro fantasma. O time precisa vencer o jogo de volta, quarta-feira, por pelo menos dois gols de vantagem. Os jogadores estão conscientes do momento delicado. Além da perda técnica, a desclassificação da Libertadores custaria alguns milhões de dólares aos cofres do Palmeiras. De acordo com cálculos da Traffic, responsável pela parte comercial da competição, os 16 times que chegaram à atual fase do torneio (oitavas-de-final) já embolsaram cerca de US$ 1,3 milhão em direitos de TV. O clube campeão, no entanto, acumulará US$ 4,9 milhões em prêmios. A isso soma-se dois meses de custos do Departamento de Futebol, cerca de R$ 2 milhões. Indiretamente, a eliminação do time também prejudicaria a venda de pacotes para o Mundial Interclubes da Fifa, que o Palmeiras disputará a partir do dia 29 de julho. A idéia é levar 3 mil palmeirenses à Espanha. De acordo com cálculos de Aldo Leone Filho, diretor da Agaxtur, uma das quatro empresas que levarão torcedores ao Mundial, foram comercializados até esta sexta-feira entre 100 e 150 pacotes, número considerado "normal" por ele. "Vamos torcer para que o Palmeiras chegue à final da Libertadores, o que motivará a torcida", diz Leone.DIVERGÊNCIAS - O discurso de jogadores e comissão técnica não reflete unidade. "O fator determinante para a vitória do São Caetano foi a vontade", disse Roth, na reapresentação do time após um dia de folga. A opinião de Alex, um dos líderes dos jogadores, é outra. "Estava tudo bem planejado para o jogo, tínhamos controle sobre a partida. Nos perdemos um pouco quando saiu o Tupã para a entrada do Taddei. Demoramos para encontrar a posição ideal."O volante Claudecir, ex-jogador do São Caetano, sabe o que espera o Palmeiras. "Agora está do jeito que o Jair Picerni gosta. O time tem vantagem e o adversário terá de partir para o ataque."

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