Cresce o racha MSI-Corinthians

O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, ameaça ir à Europa cobrar pessoalmente dos investidores da MSI os valores que o fundo de investimentos deve ao clube ? exige R$ 22 milhões que estariam previstos no contrato e mais R$ 3 milhões de um empréstimo feito à empresa. Diversas fontes no Parque São Jorge garantem que não há mais conversa entre Dualib e o iraniano Kia Joorabchian, executivo da MSI. ?A relação dos dois não melhorou nada desde o primeiro grande desgaste (após a assinatura do patrocínio com a Samsung, no primeiro semestre)?, afirmou o assessor pessoal do cartola corintiano, Décio Trujilo. Contrariando o estipulado no contrato de parceria, o presidente do clube vem retendo os valores que têm entrado nos caixas. Pelo acordo com a MSI, todas as receitas corintianas cabem ao fundo, não ao Corinthians. O dirigente, no entanto, não repassou R$ 1,5 milhão pagos pela Federação Paulista de Futebol, há cerca de 15 dias, provenientes da cota de transmissão pelo Campeonato Paulista de 2005, e pretende ainda reter os R$ 1,7 milhão que o Clube dos 13 deve depositar dia 20, relativos ao Brasileiro. ?Não há acerto com o Kia, a única forma é segurar o dinheiro e forçar que ele pague o que deve?, afirmou o neto do presidente corintiano, Edson Dualib. Não há reuniões previstas para tentar encerrar o impasse. Kia Joorabchian, por meio da assessoria de imprensa da MSI, havia se comprometido a fazer um pronunciamento sobre o impasse, especificamente sobre a retenção dos valores do Clube dos 13. No início da noite, foi comunicada a decisão de que ?a empresa, por enquanto, prefere se silenciar sobre o assunto?. ?Esse iraniano é uma das pessoas mais intransigentes que conheço?, declarou um influente conselheiro do clube. ?Essa história vai parar na Justiça, porque nenhum dos dois (Kia e Dualib) vai recuar um milímetro?, completou. Temendo problemas financeiros ? o clube tem as contas bloqueadas pela Justiça por causa da pendência com o atacante Luizão, no valor de R$ 9 milhões ?, o presidente do Corinthians foi em setembro a Europa pedir a quitação da dívida e a substituição de Kia, com quem não via mais ambiente para manter o acordo. Na ocasião, ouviu do russo Boris Berezovski, um dos financiadores do fundo, que seria enviado um mediador a São Paulo, que tentaria solucionar as arestas financeiras e políticas. ?A promessa foi de que essa pessoa viria até dezembro, no máximo. Mas até agora ninguém apareceu?, afirmou Trujilo. ?O Dualib continua esperando o tal consultor, mas, se ele não vier, o único jeito será ir cobrar pessoalmente os investidores, ir à Europa se for o caso.? ARESTAS - O primeiro desgaste ocorreu ainda em 2004: o dirigente era ignorado quando pedia ao iraniano que apresentasse provas de quem eram os investidores por trás da MSI. Em outras ocasiões, os discursos não batiam. Kia falou, por exemplo, que o objetivo do time em 2005 seria a classificação para a Libertadores, títulos só seriam pensados para 2006. Dualib, dias antes, cobrou taças ainda este ano. Após a assinatura do patrocínio com a Samsung, o cartola ficou ressentido com o executivo por não ter pago um porcentual pelo contrato à sua neta, Carla Dualib, do departamento de marketing corintiano. No momento, exige R$ 22 milhões para quitar dívidas. A MSI já teria pago R$ 38 milhões dos R$ 60 milhões previstos.

Agencia Estado,

15 de dezembro de 2005 | 08h42

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