Silvia Izquierdo/ AP
Silvia Izquierdo/ AP

Seleção e Dunga estão na berlinda na opinião ex-jogadores

Campeões do mundo batem forte no time nacional após fracasso

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2015 | 11h48

"A seleção hoje não inspira confiança em ninguém", opina Carlos Alberto Torres, capitão do tri. Para Zico, o Brasil depende exclusivamente de um jogador: Neymar. "Vamos sofrer nas Eliminatórias", prevê o Galinho de Quintino. Já o narrador da Rede Globo, Galvão Bueno, chamou de "medíocre" a participação do time de Dunga na Copa América, deixando, claro, no entanto, que não é sua intenção provocar uma 'caça às bruxas'.

Ex-jogadores, campeões do mundo e jornalistas respeitados subiram o tom das críticas à seleção brasileira depois da eliminação do time na Copa América, nos pênaltis, para o Paraguai. Em comum, nenhum deles gostou da maneira como o Brasil jogou o torneio no Chile. O principal alvo das reclamações, além do futebol medíocre, foi o técnico Dunga. Sobrou também para a gestão da CBF e para jogadores com pouca rodagem com a camisa amarelinha, como o atacante Roberto Firmino. Confira o que disseram os críticas da seleção de Dunga.

CARLOS ALTERTO TORRES, capitão da seleção na conquista do tri, no SporTV

"Existe um ditado assim: quando você tem um time bom, você diz: 'posso até não ganhar'. Já quando tem um time mais ou menos, diz: 'posso até ganhar'. É o caso do Brasil hoje. Quando Neymar joga, as esperanças são maiores, porque o moleque é bom pra burro e em uma jogada individual, decide o jogo. A seleção hoje não inspira confiança em quase ninguém. Não pensem que o time está no caminho certo para ganhar a Copa, porque não está. Tem muita coisa errada. Tem gente que diz que sou conservador, mas vi um garoto desembarcando em São Paulo (Roberto Firmino), e aquilo não é jogador de seleção, é jogador de pelada. O cara de capuz na cabeça. Na Europa, você vê Neymar e todo mundo desembarcando de terninho e gravata, respeitando a instituição. Aqui, não respeitam."

ZICO, jogou as Copas de 82 e 86, em evento no Rio

"Ele (Dunga) deveria se preparar melhor, mas sempre fica com rancores, fala de gerações anteriores que foram perdedoras (alusão à de 82). Ele tem de curtir a vida, o que ganhou, o que tem pela frente, a responsabilidade que tem... Essa é a função dos treinadores. Passar uma borracha no passado. Não pode ficar se remoendo quando acontece algo desagradável. Tem muita gente que dignificou o futebol. Quando o Brasil está numa competição, esperamos uma seleção que não dependa de um jogador, e estamos nessa situação. Já vimos grandes jogadores decidindo partidas, mas não dependendo apenas de um jogador. Nesses jogos oficiais, estamos deixando a desejar. As Eliminatórias estão aí e a tendência é sofrer bastante. Temos de voltar a ser o futebol brasileiro. Precisamos colocar a bola no chão. Começar tudo de novo não seria ruim. Falta valorizar a matéria-prima dentro do Brasil. Só estamos valorizando o que está lá fora."  

ZAGALLO, campeão mundial como jogador (58 e 62), técnico (70) e auxiliar (94), no Rio 

"A seleção não tem jogado bem, infelizmente, e foi eliminada da Copa América. Agora é trabalhar no tempo que resta, pois tem de melhorar muito. O Dunga foi meu jogador, capitão, líder... O problema da seleção é outra coisa. Não temos um material humano adequado. Não é o melhor e cada um tem seu ponto de vista. O meio de campo não caminha e vou continuar apoiando o Dunga." 

RONALDO FENÔMENO, campeão mundial em 94 e 2002, ao programa Bem-Amigos

"A gente que esteve de perto nos jogos, a sensação que dá ao vivo, é que não havia muita sintonia, ou quase nenhuma sintonia entre os jogadores e o treinador. Isso engloba a comissão técnica, porque é um trabalho em equipe. Em vários momentos dos jogos, ficou comprovado que a seleção não tem padrão de jogo. E já tem um ano de comando. Foi muito abaixo no Chile. A seleção teve pouquíssimos momentos em que ela parecia um time, tocando a bola. O gol contra o Paraguai foi uma jogada bonita, mas é muito pouco para a seleção brasileira."

CASAGRANDE, disputou a Copa de 86 e é comentarista da Globo, no Corujão do Esporte

"Acho essa geração do futebol brasileiro a pior de todos os tempos. Nós temos um time mediano e um supercraque que é o Neymar, referencial, um dos três melhores jogadores do mundo da atualidade. Sem Neymar, jogamos pau a pau com Paraguai, Colômbia, com o Chile." (Declaração dada antes da eliminação para o Paraguai). O time é mediano. O futebol brasileiro ergue o braço e pede socorro."

GALVÃO BUENO, narrador da Globo, no programa Bem-Amigos

"Foi a pior, a mais medíocre participação do futebol brasileiro em toda a história da Copa América. Eu acompanho a seleção desde 1983, são 32 anos de Copa América, e jamais vi uma participação tão medíocre. Isso fere a história de pessoas como Ronaldo e Roberto Carlos."

ROBERTO CARLOS, campeão do mundo em 2002, no programa Bem, Amigos!

"Falta personalidade para os jogadores da seleção."


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