Miguel Schincariol / São Paulo FC
Miguel Schincariol / São Paulo FC

Crespo muda o São Paulo, leva paz ao Morumbi e começa a colher os resultados

Veja como o treinador alterou a cara do time, mexeu no sistema tático e nas peças e ganhou o respeito de todos no clube

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 11h42

Hernán Crespo não trabalha sozinho no São Paulo. Nem vai trabalhar. Quando fez sua entrevista com Muricy Ramalho foi informado que o coordenador estaria com ele o tempo todo, fazendo a ponte do futebol com a diretoria do clube. E assim Crespo e Muricy se juntaram para quebrar uma sequência de tempo sem conquistas e fortalecer mentalmente um elenco que nunca foi ruim, nem mesmo nos tempos de Fernando Diniz. Muricy era o arco enquanto Crespo se tornou a flecha. O choro de Muricy após a conquista do Campeonato Paulista dimensionava o tamanho da importância do feito. O Paulista nunca foi o Paulistinha para o time nesta temporada.

No comando, Crespo tratou de colocar em prática alguns conceitos que aprendeu em sua curta carreira de treinador, valendo-se de uma lição dos tempos de atacante do Parma e da Inter de Milão: a formação de uma defesa segura. O futebol italiano sempre se mostrou rico em seu sistema defensivo, comandado por Baresis e Maldinis. Crespo viveu tudo isso mais de perto, quando garoto ainda. E não teve dúvidas de implementar alguns desses conceitos no São Paulo.

A formação com três zagueiros caiu como uma luva no time. Ele deu harmonia a um setor que vinha sendo muito castigado por fracassos e eliminações. Arrancou do grupo a necessidade de trabalhar com o goleiro Volpi, como pregava Diniz. Sofreu 13 gols e marcous 44. A defesa ficou mais forte com a chegada de Miranda, uma contratação pontual e certeira. Todos sabiam o que esperar do zagueiro que estava fora do Brasil havia anos, com passagens pela Inter de Milão e Atlético de Madrid.

Depois, Crespo tratou de convencer o dono do timem, Daniel Alves, a atuar pela lateral, onde construiu sua carreira em times como Barcelona e Juventus. Era um camisa 10 atuando de ala. Deu certo. Crespo é um desses treinadores que falam ao pé do ouvido, que convence seu interlocutor de fazer o que ele quer. Daniel aceitou o desafio. Ele e Reinaldo passaram a compor o meio de campo, cada um de um lado, dando opção de saída de bola. O Paulistão foi a conquista de número 41 na carreira de Dani. Ele não jogou a final, mas estava feliz ao lado dos companheiros na comemoração.

Assim, Crespo ajeitava o calcanhar de Aquiles do São Paulo. O treinador tinha ainda outra missão: arrumar um atacante como ele no time. Crespo queria ter um Crespo na frente. Apostou em Pablo, que estava em baixa e na reserva. Deu ao jogador mais confiança. Funcionou. Ele e Luciano fazem esse papel de homem gols. Luciano passou ppor uma série de lesões leves, e ficou num entra e sai do time sem parar. Ambos são responsáveis pelos gols do São Paulo.

Aos poucos, Crespo foi conhecendo o clube e as características de cada atleta. Recuperou também o volante Liziero, que estava de malas prontas para deixar o Morumbi por não era aproveitado. E assim o treinador foi tirando leite de pedra e resgatando a confiança de alguns atletas que estavam encostados.

Junta-se a isso as contratações acertadas na temporada, com pouco dinheiro e apostando apenas em peças necessárias ao clube. Muricy também esteve por trás dessas escolhas. Miranda foi uma delas. Foi ele que ergueu a taça do Estadual na condição de capitão. Ao seu lado, até Arboleda começou a jogar mais. Benítez e Eder foram outras duas contratações pontuais. O primeiro veio do Vasco e chegou chegando. Melhorou muito o meio de campo do São Paulo. Precisa ter um fortalecimento muscular para suportar a temporada. Ele é um jogador que se machuca demais. Também não esteve na final com o Palmeiras. Eder vai se adaptando ao estilo de jogo do treinador. Nas vezes em que entrou em campo, mostrou-se util com boas jogadas.

Também é possivel colocar na conta do treinador argentino um pouco mais de leveza ao ambiente do Morumbi. Com Diniz, o clima era muito pesado, com atletas e o próprio treinador sempre de caras amarradas, incomodados com tudo e com todos. A chegada de Crespo deu um novo ar ao ambiente tricolor. A conquista do Paulistão também vai dar mais crédito a todos no clube e um pouco de paz. O time não vencia o estadual de São Paulo desde 2005. Havia 16 anos. Muitos torcedores entrando na adolescência nunca tinham visto o time campeão. Crespo acabou com essa fila. Zero a contagem. O são-paulino mais animado diz hoje que faz um dia que o seu time não ganha nada.

Crespo festejou a conquista com suas filhas na Itália. Foi muito rapidamente. Porque ele já tem compromisso na Libertadores nesta terça-feira. Recebe o Sporting Cristal para saber se vai ficar em primeiro ou segundo no grupo. O time já está classificado, com oito anos. A competição sul-americana e o Brasileirão, que começa no fim de semana, passam a ser os novos objetivos do clube, além, claro, da Copa do Brasil, que será retomada no começo de junho em sua terceira fase. O São Paulo mede forças com o 4 de julho do Piauí, em partidas de ida e volta. A etapa antecede as oitavas de final. 

 

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