Boris Streubel/Reuters
Boris Streubel/Reuters

Criador da expressão 'doping financeiro', Wenger defende punição ao City

Clube inglês foi suspenso por duas temporadas da disputa da Liga dos Campeões

Felipe Rosa Mendes, enviado especial, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 21h05

Criador da expressão 'doping financeiro', o técnico Arsène Wenger defendeu nesta segunda-feira a dura punição aplicada pela Uefa ao Manchester City, na semana passada. Em evento do prêmio Laureus, em Berlim, o ex-treinador do Arsenal disse que as autoridades do futebol não podem ser condescendentes com infrações às regras do Fair Play Financeiro.

"Eu sempre fui a favor do controle e das regras financeiras e de deixar os clubes viverem do seu rendimento natural. As regras foram criadas, elas são o que são e você tem que respeitá-las. As pessoas não as respeitam e, ao tentarem contorná-las de um jeito mais ou menos legal, é necessária uma punição. Se for provado que algo foi feito de forma pensada, você não pode deixar isso passar", declarou Wenger, que deixou o Arsenal em 2018, mas não oficializou sua aposentadoria.

O francês fez as declarações em uma entrevista coletiva na companhia do treinador italiano Fabio Capello, da técnica Jill Ellis, bicampeã mundial comandando a seleção feminina dos Estados Unidos, e o holandês Ruud Gullit.

"Acho que o esporte é basicamente tentar vencer seguindo as regras. Nós celebramos os melhores de cada modalidade, mas queremos que eles respeitem as regras. Se não há respeito pelas regras, não é esporte de verdade. Acho que isso é o mais importante", reforçou Wenger, que brincou ao ser questionado por um jornalista. "Você sempre foi crítico ao Manchester City..." O francês cortou a declaração e respondeu em tom de brincadeira: "É que eles sempre compraram os meus jogadores."

O Manchester City, comandado pelo técnico Josep Guardiola, foi banido das duas próximas edições da Liga dos Campeões ou de qualquer outra competição europeia e multado em 30 milhões de euros (cerca de R$ 140 milhões) pelo descumprimento de regras do Fair Play Financeiro criado pela Uefa.

De acordo com a entidade, o clube cometeu "violações graves" ao regulamento, um mecanismo criado pela organização para evitar que os clubes gastem valores superiores aos que forem arrecadados. A Uefa entendeu que o Manchester City tentou burlar as regras ao inflar falsamente as receitas obtidas com patrocínios entre 2012 e 2016, em uma investigação iniciada após o vazamento de documentos que demonstravam a ação ilegal e foram publicados pela revista alemã Der Spiegel.

Em tom de alerta, Wenger disse que, se as regras não forem cumpridas, os clubes grandes vão dominar ainda mais os campeonatos nacionais, tornando seus resultados previsíveis. "Mais ou menos pontos na tabela é algo que está sempre ligado à quantidade de dinheiro que os clubes têm. Historicamente, é sempre a mesma coisa. São os times mais ricos que vencem os campeonatos. E acho que esta é uma tendência que se tornou mais forte nos últimos 20, 30 anos."

"E isso acontece porque todo mundo quer assistir aos melhores times. E os melhores vêm se tornando os mais ricos e a diferença para os clubes menores tem se tornado maior. É por isso que vemos o que vemos. A estrutura está estabelecida e todos nós podemos prever o que vai acontecer em cada campeonato", disse o francês, evitando comentar se o City deveria ter cassado seus títulos recentes por ter infligindo o Fair Play Financeiro. "Não conheço as regras tão bem para comentar isso."

* Repórter viajou a convite da organização do evento

 

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