Criciúma destaca união e planejamento

Um planejamento estratégico que prevê ações tanto em relação a formação da equipe quanto na consolidação do clube como empresa, que vem sendo desenvolvido há mais de três anos; a reformulação do grupo de jogadores no início desta temporada; a contratação do experiente técnico Vágner Benazzi e a união do grupo, são os fatores que levam o Criciúma a ocupar o topo da classificação do Campeonato Brasileira da Série A, segundo avaliações do presidente do clube, o engenheiro Moacir Fernandes, do treinador da equipe e do artilheiro do time, o atacante Reinaldo, ex-Palmeiras, que já anotou cinco gols na competição. "Quando se inicia um trabalho, o objetivo tem que ser sempre estar entre os primeiros, principalmente em um campeonato como o Brasileiro da Série A, que é o maior do mundo. Foi assim que a gente encarou o desafio e trabalhou muito para isso. Mais difícil do que chegar será permanecer, mas vamos fazer o melhor para que isso aconteça", diz o atacante Reinaldo, carioca, que completa 24 anos no mês que vem, oriundo do subúrbio do Rio de Janeiro, para tentar a sorte na Europa aos 17 anos e acabou retornando para recomeçar na Caldense (MG), foi comprado pelo Palmeiras no ano 2000, se transferiu no ano passado para o Avaí, de Florianópolis e em 2004 para o Criciúma. Comedido, de poucas palavras, o presidente do Criciúma, Moacir Fernandes, dirigia o clube em 1991 quando foi conquistada a Copa do Brasil, primeiro título nacional do time catarinense, também ocupava o posto em 2002, na conquista do campeonato da Série B e considera que sua equipe está colhendo os frutos de um planejamento que tem objetivos de médio e longo prazos. Para ele "ter um time jovem, aplicado taticamente dentro de campo, bem orientado pelo técnico Vagner Benazzi" e uma dose de sorte, levou a equipe à liderança do campeonato. Fernandes, sempre que questionado, diz que valores financeiros são assuntos de interesse interno do clube e não divulga salários ou recursos dispensados para contratação de atletas. "Não fazemos grandes investimentos até por que não temos recursos", afirma, mas na consegue esconder, por exemplo, que o "teto salarial" do clube não passa muito além de R$ 10 mil para os jogadores. Questão de honra, no entanto, é pagar os salários e prêmios em dia. O técnico Vagner Benazzi considera a falta de recursos um dos problemas. "O clube recebe quatro ou cinco vezes menos da CBF do que os grandes e os jogadores também têm salários, na mesma proporção, menores que os atletas de Vasco, Flamengo, Corinthians...", compara o treinador, que no entanto considera "gostoso" trabalhar em Criciúma. O clube, salienta, "é unanimidade regional. O bispo, o padre, todo mundo torce e o jogo de domingo, quando é na cidade, é programa garantido das famílias", descreve Benazzi, que confessa "ter saudades de São Paulo", onde sua família vive. As saudades, no entanto, salienta, são recompensadas pelas boas condições de trabalho, o grupo de jogadores que "está fechadinho", os resultados do trabalho desenvolvido e o futuro que se projeta para o Criciúma. "A reformulação do grupo que temos a disposição, e das divisões de base, além de ações como a construção de um centro de treinamentos que já tem três campos para treinamentos, colocam o Criciúma numa condição muito boa no futebol brasileiro", aposta Benazzi.

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