Criminoso de guerra sérvio quis matar ex-presidente da Uefa

Arkan queria se vingar de Johansson, que o impediu de viajar com seu time, o Oblic na Liga dos Campeões

Ansa

22 de janeiro de 2008 | 17h36

O líder paramilitar sérvio, Zeljko Raznatovic, conhecido como 'Arkan', planejou em 1998 o assassinato do então presidente da Uefa, Lennart Johansson, informou o programa televisivo The Insider, da rede sérvia B92. O plano foi adotado em represália à decisão da Uefa de proibir o sérvio de viajar a Munique (Alemanha) com o Oblic, equipe da qual era proprietário e que jogou pela Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique. A negativa se deu em virtude dos numerosos crimes de guerra que Raznatovic supostamente teria cometido durante os conflitos bélicos dos anos 90 na época da desintegração da Iugoslávia. Arkan, que foi substituído por sua esposa nessa viagem, Svetlana Raznatovic, tentou enviar seus homens a Viena para assassinar Johansson, mas decidiu suspender o atentado na última hora porque "não era o momento adequado". "Sim, eu ouvi alguma coisa sobre isso", admitiu Johansson na emissão. "O simples fato de que algo assim poderia me acontecer me perturba. Entrei em contato com gente muito próxima a mim e com minha própria família para lhes perguntar o que eu podia fazer, mas quando alguém com tal desordem mental tenta te assassinar não se pode fazer muito", acrescentou. O sueco reconheceu que teve medo. "Mas não podia fazer nada para me proteger. Se há uma ameaça pública a única coisa que pode supor é que seu governo o protegerá." Arkan foi o fundador da Guarda Voluntária Sérvia (mais conhecida como os 'Tigres'), uma unidade paramilitar ultranacionalista sérvia que semeou o terror entre as populações da Croácia e da Bósnia entre 1991 e 1995.Ele também foi acusado de crimes de 'limpeza étnica' no Kosovo durante a guerra de 1998/99. Além disso, Arkan era um dos homens mais ricos dos Bálcãs graças a suas atividades de extorsão e contrabando de petróleo e artigos de luxo. Entre seus diversos negócios, ele possuía cassinos, discotecas, postos de gasolina, armazéns, restaurantes, academias, uma agência de segurança privada e clubes de futebol, estes últimos para lavar dinheiro e ganhar popularidade nos tempos da Sérvia de Slobodan Milosevic. Arkan foi assassinado em janeiro de 2000 no Hotel Intercontinental de Belgrado por um agente da polícia sérvia.

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