Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Criptomoeda do Santos tem período inicial de grande intensidade

Especialistas comentam sobre a entrada de clubes no universo de moedas digitais

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2022 | 20h00

A criptomoeda lançada pelo Santos no final de novembro do ano passado começou com um valor de US$ 2,50 (R$ 13,78) na PancakeSwap, exchange descentralizada que opera na corretora Binance. Porém apenas algumas horas depois de seu início, o fan token já havia obtido grande ascensão e estava em US$ 35 (R$ 192). Desde então, o ativo se desvalorizou e, atualmente, seu preço gira em torno de US$ 3,35 (R$ 18,46). O time da Vila Belmiro se tornou a quinta equipe do Brasil a entrar no ramo de moedas digitais, o que parece atrair cada vez mais o interesse dos clubes brasileiros pelo negócio.

De maneira inovadora, o Santos adotou o modelo de finanças descentralizadas (DeFi) para explorar o seu fan token e ostenta o título de ser o primeiro time da América Latina a promover este formato. Para realizar a ação, o clube contou com a parceria da Binance.

Por meio de um contrato inteligente, torcedores podem adquirir criptos realizando depósitos de outro ativo digital. O nome dado a esse processo é farming e o clube utiliza a PancakeSwap para realizar essa ação. Sendo assim, quem depositar a criptomoeda CAKE recebe o token $SANTOS.

Para Eduardo Diamante de Souza, sócio do escritório Carlezzo Advogados, a entrada de clubes no mercado de criptomoedas é algo atraente para times e torcedores: “Era esperado que esse fenômeno mundial das criptomoedas e ativos digitais avançasse de forma rápida e agressiva sobre o mercado do futebol brasileiro, onde os clubes necessitam avidamente de novas fontes de receita e os torcedores, por outro lado, buscam ampliar sua experiência e participação cotidianas no clube, com a possibilidade, ainda, de obterem retorno financeiro com o investimento realizado."

A ação do Santos promete aproximar o torcedor do time e aumentar o engajamento do apoiador em relação ao clube, porque quem investe neste projeto pode participar de enquetes exclusivas, receber camisetas autografadas, concorrer a diversos prêmios e usar os ativos para comprar produtos oficiais na loja da equipe.

"Junto do mercado de apostas, as plataformas de criptomoedas e outros ativos digitais, como NFTs e fan tokens, já se posicionam como um dos setores mais agressivos a investir no esporte e no entretenimento. Através desse universo marcado pela visibilidade e engajamento dos fãs, essas empresas buscam se consolidar rapidamente no mainstream. Atualmente, já existe uma escassez de propriedades relevantes disponíveis no mercado para essa categoria", afirma Felipe Soalheiro, fundador da agência SportBiz Consulting.

O Santos receberá US$ 10 milhões (R$ 55 milhões) e terá o patrocínio da Binance em sua camisa durante os três anos de contrato. Além do Alvinegro de Vila Belmiro, diversos outros clubes do país, como Atlético-MG, Corinthians, Flamengo e São Paulo, também emitem seus próprios criptoativos.

E não são apenas os times que entraram nesse ramo. Renê Salviano, profissional com larga experiência em marketing esportivo, comenta sobre a sua experiência com moedas digitais: "Aqui na nossa agência (Heatmap) estamos em processo de criação de NFT, não apenas para clubes de futebol, mas também para a indústria do entretenimento. Essas mudanças nas formas de convívio se acentuaram com a pandemia, que aumentou o tempo gasto em ambientes virtuais. Inclusive, até mesmo exposições já são realizadas em redes sociais e jogos online."

Por outro lado, Bruno Maia, CEO da Feel The Match e especialista em inovação e novos negócios na indústria do esporte, faz um alerta aos apaixonados por futebol: "Vejo que o torcedor deve entender o risco que ele está envolvido. Sendo assim, o ideal é que o apoiador do clube não precise resgatar esse investimento no curto prazo. Se, em pouco tempo, houver a necessidade de sacar esse dinheiro, a pessoa não deve obter o retorno esperado."

INTERNACIONAL

Outros clubes também estão migrando para este processo. Um deles é o Internacional. Conectado e atento às novidades no mercado que envolvem o futebol dentro e fora de campo, o clube deu mais um importante passo em busca do engajamento da sua torcida, e em parceria com a Chiliz, líder de mercado em blockchain na indústria de entretenimento e esporte, lança o Fan Token $SACI, no app Socios.com. Cada $SACI custa US$ 2.

O Fan Token oportunizará que os torcedores tenham voz em diversas decisões sobre o dia a dia do Clube. Por meio de votações no app, será possível opinar sobre design de uniformes, trilha sonora em comemoração de gols, frases motivacionais no vestiário, entre outras situações.

De acordo com Alessandro Barcellos, presidente colorado, o Inter não poderia ficar alheio a essa tendência que ganha força mundial a cada dia. “Estamos acompanhando os movimentos que aproximam torcida e clubes. É uma aposta nossa para esse segmento que deverá nos trazer muitos benefícios em um curto espaço de tempo. Estamos buscando evoluir nesta área para que os torcedores colorados estejam inseridos em algo global e que dê a eles a oportunidade de se fazerem mais presentes na rotina do clube”, disse.

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