Bruno Terena/Divulgação
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Entenda como o Red Bull Bragantino não reduz salários nem demite funcionários

Clube do interior resiste aos efeitos da pandemia graças ao apoio da matriz austríaca e à administração organizada

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 12h00

Manter as contas em dia e não causar um rombo financeiro nos clubes têm sido o grande desafio dos dirigentes no futebol brasileiro nos últimos meses. O novo coronavírus tirou rendas de bilheteria, de transmissão de TV, patrocinadores e de quase tudo que cerca o futebol brasileiro. O jeito encontrado pela maioria é reduzir salários e demitir funcionários. Mas o Red Bull Bragantino foge à regra.

A jovem equipe, que estreia na Série A do Campeonato Brasileiro nesta temporada, consegue manter os salários de todos seus colaboradores - inclusive os atletas - e também não demitiu ninguém nos últimos meses. Entre os clubes da Série A e B, é o único que não reduções salariais em suas equipes. Uma sucessão de fatores ajuda a explicar o sucesso financeiro do clube de Bragança Paulista. O principal deles é planejamento e não ser vítima de más gestões passadas. 

"Não temos dívidas. Isso dá uma segurança maior para passar por isso (pandemia). Zeramos todas as dívidas do Bragantino quando fizemos a associação com o Red Bull. Não temos empréstimos bancários e nem devemos impostos", celebra Thiago Scuro, CEO do Red Bull Bragantino, em entrevista exclusiva ao Estadão

No ano passado, a Red Bull decidiu comprar o Bragantino. Como parte do acordo, todas dívidas do time de Bragança Paulista seriam pagas pela empresa para que a parceria começasse do zero. Mal eles imaginavam o que estava por vir e que essa decisão acabou fazendo diferença cerca de pouco mais de um ano. "Hoje temos duas ou três ações trabalhistas de atletas que entraram na Justiça depois da parceria e só. E são coisas pequenas", explicou Scuro. 

Mas há também outros dois pontos importantes para a saúde financeira do Red Bull. O clube não depende tanto de bilheteria, vendas de pay-per-view e sócio-torcedor, afinal de contas, sua torcida ainda é pequena. "O valor ainda é muito baixo nessa áreas para impactar no todo", disse o dirigente. E a relação com a matriz da Red Bull também não tem como ser ignorada. 

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Ter uma empresa desse porte por trás faz muita diferença. Não tem como negar. Uma gestão segura e equilibrada sempre é algo positivo
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Thiago Scuro, CEO do Red Bull Bragantino

A gigante empresa austríaca de enérgicos tem uma equipe de Fórmula 1, times de futebol na Áustria, Alemanha e nos Estados Unidos e parece ter chegado para ficar no Brasil. "Ter uma empresa desse porte por trás faz muita diferença. Não tem como negar. Uma gestão segura e equilibrada sempre é algo positivo", destacou o dirigente que já trabalhou no Audax, Cruzeiro, entre outros clubes.

A folha salarial do Red Bull gira em torno de R$ 2,6 milhões mensais e a ideia inicial era investir na temporada cerca de R$ 200 milhões. O dirigente não confirma o quanto será gasto, mas admite que será preciso rever o número. "Conseguimos reduzir algumas despesas em operação, não em pessoas. Mas o orçamento será afetado, sim", admitiu.

Se o futebol no Brasil demorar ainda mais para voltar, talvez o Red Bull tenha que rever seus conceitos até mesmo quanto aos salários. "Estamos na expectativa de retornar aos treinamentos e criar um horizonte para a volta das competições a partir de julho. Se isso se estender demais, acredito que vamos conversar com os jogadores para tentar um acordo", explicou. O Red Bull tem receio de reduzir o salário e isso acarretar em problemas jurídicos no futuro. 

VOLTA AOS TREINOS

O dirigente deixou claro ser favorável ao retorno dos treinamentos. Scuro acredita que os clubes contam com estrutura suficiente para proteger os atletas e demais funcionários e compara o esporte à construção civil.

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Voltar a treinar não significa que vai expor as pessoas. Não significa risco de contaminação. Veja, por exemplo, a construção civil
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Thiago Scuro, CEO do Red Bull Bragantino

"Voltar a treinar não significa que vai expor as pessoas. Não significa risco de contaminação. Veja, por exemplo, a construção civil. Está funcionando normalmente e você vai me dizer que dentro de uma obra, os cuidados e protocolos de saúde são mais rígidos do que no futebol? Não são", opinou.

O dirigente continuou. "O futebol está propondo fazer testes em todo mundo, treinos isolados… Se olhar para a Bundesliga (Campeonato Alemão), o retorno das equipes aos treinamentos foi em um momento que havia muitos casos no país e tudo está indo bem. Acredito que estamos prontos para voltar e que também é possível cuidar da saúde da população". 

Por enquanto, a CBF e as federações estaduais não definiram datas para o retorno dos jogos, mas alguns clubes já estão treinando e a tendência é que em julho já tenhamos alguns estaduais sendo realizados pelo Brasil. O Paulistão pode ser um deles.

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