Divulgação/Deportivo Lara
Divulgação/Deportivo Lara

Crise na Venezuela afeta futebol e interfere na Libertadores

Por causa do blecaute no país, Deportivo Lara não conseguiu vir ao Brasil para enfrentar o Cruzeiro

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2019 | 04h30

A crise social, política e econômica na Venezuela também tem afetado o futebol local. Por causa do blecaute que atinge o país há uma semana, a competição nacional foi adiada por tempo indeterminado e o Deportivo Lara não conseguiu viajar até Belo Horizonte para enfrentar o Cruzeiro pela Libertadores.

O duelo era para acontecer, inicialmente, na quarta-feira. Como o elenco não embarcou, a Conmebol remarcou para quinta-feira. Para tentar vir ao Brasil, o time viajou até Valência, a 200 quilômetros de distância de sua cidade, mas novamente enfrentou problemas e não viajou. Pela manhã, improvisou um treinamento no gramado.

Depois, veio o obstáculo inicial de ordem burocrática: a companhia venezuelana de aviação disponível em Valência não tinha autorização para voar em território brasileiro. Depois, o Cruzeiro recebeu a informação que não havia combustível suficiente para a viagem. O voo faria escala em Manaus para reabastecimento.

O clube mineiro chegou a oferecer ajuda financeira, mas não adiantou. O Deportivo Lara não conseguiu desembarcar em Belo Horizonte a pelo menos 24 horas do início da partida, como pede as regras da Conmebol.  Em comunicado, o time venezuelano agradeceu ao Cruzeiro pelo apoio e solidariedade e lamentou não ter conseguido honrar com o compromisso.

A Conmebol remarcou o duelo para o dia 27 de março, que coincide com uma data Fifa, reservada para amistosos entre seleções. Caso o clube venezuelano não compareça novamente, a entidade concederá a vitória ao Cruzeiro por W.O.. 

O blecaute que atrapalhou a Libertadores também desativou a rede de telecomunicações do país, tornou a luta por alimento e água ainda mais complicada e aprofundou as dificuldades do debilitado sistema médico no país. O número de mortes em hospitais chegou a 21, de acordo com a ONG Médicos pela Saúde, que tem registrado as deficiências dos 40 maiores hospitais da Venezuela.

No futebol local, na rodada do último final de semana, Zulia e Caracas se recusaram a jogar em protesto a falta de condições mínimas. As duas equipes entraram em campo em Maracaibo, mas após o apito do árbitro permaneceram o primeiro minuto sem se movimentar. Depois, seguiram o restante dos dois tempo tocando de um lado para o outro à espera do término. 

O governo de Nicolás Maduro diz que o crise de energia ocorreu devido a uma "sabotagem" na hidrelétrica de Guri, a principal do país. O chavismo, no entanto, não deu detalhes sobre como isso ocorreu. Os governistas afirmam que estão tentando resolver a falha e garantem que o abastecimento está sendo restabelecido lentamente.

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó convocou manifestação, em data a definir, para pressionar pela saída do poder do presidente Nicolás Maduro, a quem responsabilizou pelo apagão que atinge o país produtor de petróleo.

 

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