Orlando City/Divulgação
Orlando City/Divulgação

Crise provoca 'exôdo' de jogadores brasileiros para o futebol da Ásia

Fragilidade financeira dos clubes do Brasil ‘empurra’ seus melhores atletas para algumas equipes da China e do Oriente Médio

O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2015 | 07h13

Os primeiros dias de 2015 não têm sido nada bons para o futebol brasileiro. A crise financeira atingiu praticamente todos os grandes clubes do País, que sonham com uma ajudinha do governo para sair do buraco, e muitos deles são incapazes de pagar em dia os salários de seus atletas. A consequência desse estado de penúria é óbvia: os melhores jogadores do Brasil vão embora para ganhar mais dinheiro em algum outro lugar do mundo. Qualquer lugar.

Nos últimos dias, quatro dos melhores jogadores do País na temporada passada fecharam negócio com clubes estrangeiros e um outro ficou muito próximo de fazer o mesmo. Os meias Ricardo Goulart e Conca, o atacante Diego Tardelli e o volante Lucas Silva já deram adeus ao Brasil, enquanto o meia Everton Ribeiro só não o fez ainda porque faltam alguns detalhes a serem acertados em sua transferência.

O êxodo de jogadores, que está longe de ser uma novidade, é um sintoma da inanição financeira dos clubes brasileiros, mas não o único. O mais grave é constatar que atletas de grande destaque no Brasil aceitam sem pestanejar propostas de países sem nenhuma tradição no futebol, como China e Emirados Árabes Unidos.

Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, os dois principais responsáveis pela conquista do bicampeonato brasileiro pelo Cruzeiro, são os mais bem acabados exemplos dessa nova – e triste – realidade do futebol do País. Ricardo transferiu-se recentemente para o Guangzhou Evergrande, da China, e Everton faz o que está a seu alcance para jogar no Al Ahli, dos Emirados Árabes. A tentação financeira é tão grande que eles não se importam em "sumir" do radar de Dunga, técnico da seleção brasileira, ao jogar em países com campeonatos de baixo nível técnico. Os salários que receberão em suas novas casas não estão ao alcance dos clubes brasileiros.

Diego Tardelli, titular da seleção brasileira, também decidiu embarcar na "aventura chinesa". Aos 29 anos, vai jogar no Shandong Luneng, time comandado por Cuca. Assim como os dois ex-cruzeirenses, o ex-atleticano sabe que corre o risco de ser riscado do caderno de Dunga, mas concluiu que a oportunidade de ganhar mais de R$ 1 milhão por mês era boa demais para não ser aproveitada.

Dario Conca, por seu lado, não tem de se preocupar com seleção alguma, já que nunca foi convocado para defender a Argentina. Com o Fluminense em crise e a chance de ganhar R$ 2 milhões por mês no Shangai Dongya, ele voltou correndo para a China, onde já havia defendido o Guangzhou Evergrande. Conca agora tem um dos dez maiores salários do futebol.

Com Kaká nos Estados Unidos, Lucas Silva aparece como exceção, pois trocou o Cruzeiro por um grande clube da Europa, o Real Madrid. E quem melhor define a situação é Ricardo Goulart: "Quando eles (os chineses) querem, eles podem". Os clubes brasileiros, como se vê, até querem, mas não podem.

Tudo o que sabemos sobre:
Futebolmercado da bola

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.