Crise provoca troca de comando na Secretaria de Segurança de Grandes Eventos

Delegado da PF pede para deixar cargo após enfrentar sequência de desgaste político

Alana Rizzo, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2013 | 08h10

BRASÍLIA - Em meio a uma nova crise, a Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos (Sesge), subordinada ao Ministério da Justiça, vai trocar pela segunda vez de comando. O delegado da Polícia Federal, Valdinho Jacinto Caetano, pediu na última quinta-feira para deixar o cargo após uma sequência de desgastes na condução da política de segurança pública para os grandes eventos. Ex-corregedor-geral da PF, Caetano assumiu o cargo em fevereiro de 2012 após a saída de José Ricardo Botelho, também delegado da PF.

O estopim da renúncia foi a ríspida discussão de Caetano com o chefe do Estado Maior do Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, em reunião com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, na última quarta-feira. O motivo seria a insatisfação da PF com o papel privilegiado dado ao Ministério da Defesa na segurança de grandes eventos, o que gera atritos desde o início do governo Dilma.

Caetano teria ficado irritado com a postura da ministra, supostamente inclinada a defender os pontos de vista do general, e avisado sobre sua saída. Ela, então, teria se retirado. O bate-boca, com dedos em riste, teria se prolongado.

O chefe da Sesge comunicou sua saída ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na quinta-feira. Ontem, Cardozo reuniu-se no início da noite com a presidente. Na PF, contudo, o pedido de demissão do secretário é dado como definitivo. Já há inclusive um nome cotado para substituí-lo: o também delegado da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, que hoje ocupa o cargo de oficial de ligação em Madri e foi chefe da segurança de Dilma quando ela era candidata. O diretor-geral da PF, Leandro Daiello, deve levar o nome de Andrei ao ministro Cardozo na próxima semana.

Contudo, desde o ano passado o Planalto planeja substituir o titular da secretaria por um representante do Ministério da Defesa. É que a presidente Dilma Rousseff decidiu privilegiar o papel das Forças Armadas no comando da segurança dos grandes eventos. A intervenção da presidente na estrutura ocorreu depois que Dilma formou convicção de que na greve os policiais federais agiram para atemorizar a sociedade em aeroportos, postos de fronteira e portos. Na época, assessores diretos da presidente afirmaram que ela considerou absurda a forma como os policiais federais agiram durante a greve.

Após o episódio, uma portaria começou a redistribuir as verbas de segurança em eventos e privilegiou os comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica. Com orçamento previsto de R$ 1,8 bilhão, a secretaria foi criada em agosto de 2011 e é responsável pelas ações de segurança em grandes eventos, como a Copa das Confederações, Copa de 2014 e a Rio 2016.

Em março, o delegado Luiz Carlos de Carvalho Cruz, então diretor de Operações da Sesge, foi exonerado após o Estado revelar que ele teria enviado a dezenas de autoridades federais um e-mail propondo adesão ao chamado golpe da pirâmide.

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