Walter Bieri/AP
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Cristiano Ronaldo é o favorito para ganhar a Bola de Ouro da Fifa

Entidade vai coroar nesta segunda, em Zurique, o melhor do mundo em 2013 e tudo indica que o português será o vencedor

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2014 | 05h05

ZURIQUE - Em um evento que pode marcar o fim do reinado de quatro anos de Lionel Messi como o melhor do mundo, a Fifa entregará hoje, em Zurique, às 15h30 (de Brasília), sua Bola de Ouro. O favorito é o português Cristiano Ronaldo, que, se vencer, poderá se transformar na maior marca do futebol, com renda anual de  50 milhões (R$ 161 milhões). Mas a decisão, seja qual for, deverá ser polêmica.

Na Alemanha, a percepção é de que se Franck Ribéry, do Bayern de Munique, não vencer a credibilidade da eleição estará ameaçada, principalmente depois das acusações de que a Fifa mudou a data do fim da votação para favorecer Cristiano. E para muitos, como Ronaldo Fenômeno, Messi não deixou de ser o melhor do mundo. Já ao Brasil caberá apenas um papel de coadjuvante, seja com Neymar, Pelé, Ronaldo, Fuleco ou Fernanda Lima no palco.

Messi ganhou o prêmio entre 2009 e 2012, mas 2013 foi o ano de Cristiano Ronaldo. Até Fernanda Lima aposta no português, baseando-se nas conversas de bastidores que ouviu: “É o que estão dizendo”. Pelé faz o mesmo: “O prêmio principal vai para o Cristiano Ronaldo”.

O craque do Real Madrid foi o último homem a ganhar a Bola de Ouro antes do reinado de Messi. Desde então, ocupa a posição de coadjuvante do argentino, o que o deixa visivelmente irritado. Em 2013, o português foi alvo de ironia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que criticou seu estilo de jogo “militarizado”, e inaugurou seu próprio museu, apesar de estar longe da aposentadoria. Mas até os seus detratores tiveram de se dobrar à sua eficiência. Foram 66 gols em 56 jogos em 2013 – e Cristiano ainda levou Portugal à Copa ao fazer quatro gols nos jogos da repescagem contra a Suécia.

O português, que levará a família inteira para Zurique, não foi individualista em 2013, quando o seu número de assistências foi o mesmo de Messi, 15.

A conquista do prêmio pode fazer sua renda anual subir de  43 milhões (R$ 139 milhões) para  50 milhões. Isso o deixaria a poucos passos do rendimento de astros como Tiger Woods e Roger Federer, algo inédito no futebol. A avaliação é da escola de marketing IPAM, de Lisboa.

Desta vez, o maior concorrente de Cristiano não parece ser Messi, que enfrentou muitas lesões ao longo de 2013, mas Ribéry. O francês foi fundamental para o Bayern conquistar tudo o que disputou em 2013. Ele foi eleito o melhor jogador da Liga dos Campeões, da Europa e do Mundial de Clubes. “É agora ou nunca”, disse o francês, antes de viajar para Zurique.

“A percepção na Alemanha é de que o prêmio não terá credibilidade se o Ribéry não vencer”, contou Ronaldo. “Eles dizem que se alguém que ganhou tudo não vence o troféu, dúvidas sobre a sua validade poderiam ser colocadas.”

Mesmo que Ribéry não vença, o evento deve acabar com a supremacia espanhola. No último ano, os 11 eleitos para a “seleção mundial” jogavam na Espanha. Desta vez, os favoritos são aqueles que atuam na Alemanha, depois de a final da Liga dos Campeões ter sido disputada por dois clubes do país (Bayern e Borussia Dortmund).

Seja qual for o vencedor, a Fifa vai para sua Festa de Gala com a imagem manchada. A entidade ampliou o prazo de votação ao notar que quase metade dos eleitores (técnicos, jogadores e jornalistas) não havia enviado seu voto. Para muitos, foi a prova da falta de credibilidade do sistema. Para outros, uma forma de permitir que os jogos da repescagem das Eliminatórias fossem considerados, o que favoreceria Ronaldo.

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