Cristiano Ronaldo mais uma vez na briga para ser o melhor do mundo

O atacante português do Real Madrid sempre foi um jogador diferenciado; conheça sua história

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2012 | 11h59

SÃO PAULO - Jogos de pré-temporada costumam servir mais para os torcedores matarem as saudades de seus times e conhecerem os reforços. Para os atletas, submetidos a um trabalho de preparação física pesado, trata-se de uma oportunidade de retomar um contato mais prolongado com a bola. Mas, às vezes, esses pouco atrativos amistosos são determinantes para se construir história.

É o que ocorreu no verão (do hemisfério norte) de 2003, quando o Manchester United foi o convidado de honra do Sporting, na festa de inauguração do estádio José Alvalade. Cristiano Ronaldo, hoje chamado de "Superputo" pela imprensa portuguesa, o que significa algo como "supergaroto", era apenas um puto. O atacante, então com 18 anos, chamou a impressão dos jogadores dos Red Devils na derrota inglesa por 3 a 1, e recomendaram entusiasticamente a contratação do lusitano ao manager Alex Ferguson. O escocês acatou a sugestão e a transação foi efetuada pelo valor de 12,24 milhões de libras, que equivaleriam hoje a R$ 40,7 milhões.

Cristiano Ronaldo, ainda relativamente desconhecido para além dos limites da terrinha, já chamava a atenção de detectores de talentos mais argutos. Ele havia emitido sinais de seu talento num Europeu Sub-17.

Em 2004, Cristiano Ronaldo já ganhou seu primeiro título no United, a Taça da Inglaterra. Pela seleção portuguesa, foi vice-campeão europeu sob o comando de Felipão. A equipe do país-sede, que não era um primor de criatividade, seguindo o padrão dos times dirigidos por Scolari, sucumbiu perante uma força nada tradicional, a batalhadora Grécia.

No Manchester United, o atacante ganhava, em média, 30 minutos para mostrar o que sabia. E aproveitava. Cristiano Ronaldo abusava da velocidade e ganhava terreno com dribles. Embora apreciado pelos torcedores, o português demorou a convencer os críticos. Nas suas duas primeiras temporadas, recebeu elogios por sua técnica e habilidade, mas era criticado por aqueles que enxergavam falta de consistência e decisões equivocadas - insistência nos dribles quando seria mais conveniente passar a bola.

Em 2006, o jogador foi alvo de hostilidade. Não pegou bem a pressão que exerceu sobre o árbitro para que expulsasse o colega de time Wayne Rooney nas quartas de final da Copa de Alemanha. Os ingleses não digeriram bem a derrota para Portugal 40 anos depois de um confronto histórico, pela semifinal da Copa do Mundo de 66, que terminou com vitória britânica.

No ano seguinte, Ronaldo foi reconhecido como o jogador de futebol do mundo pela Associação de Cronistas de Futebol (Football Writers' Association), além de um dos três finalistas do prêmio da Fifa conferido ao melhor jogador do ano. Em grande forma, Cristiano Ronaldo marcou 42 gols na temporada seguinte, sendo 31 no prestigiado Campeonato Inglês, e recebeu mais uma vez o prêmio da FWA. Impulsionado por suas façanhas, o Manchester conquistou o título nacional e o da Liga dos Campeões da Europa, uma glória para poucos.

E o esforço de Cristiano Ronaldo foi coroado com o tão cobiçado prêmio da Fifa de 2008. A consagração se traduziu em valores. Ele se tornou o objeto da mais cara transação financeira do futebol até hoje - 80 milhões de libras (R$ 266 milhões hoje), deixando para trás a compra de Zinedine Zidane pelo Real Madrid.

Embora individualmente corresponda, o atacante não alcançou títulos inesquecíveis no Real Madrid, que sofre por ser contemporâneo de uma equipe ainda mais brilhante, o Barcelona, de Lionel Messi e seu concorrernte novamente na disputa do Bola de Ouro da Fifa deste ano. Aliás, os merengues andaram tropeçando até mesmo em pedras improváveis, como o Lyon, na Copa dos Campeões da Europa. O faro de artilheiro continuou apurado - em 2010, registrou a média de 0,95 gol por jogo.

No ano passado, o lusitano tornou-se o maior goleador da história do Real Madrid numa só temporada, ao marcar 53 gols. Superou o lendário Puskas, que chegou a contabilizar 49 numa mesma temporada. Ávido por troféus individuais, Cristiano Ronaldo nunca mais foi consagrado no prêmio anual da Fifa. Na temporada 2010-11, teve de engolir o terceiro lugar, atrás de Messi e Xavi, no prêmio europeu. No da Fifa, superou Xavi, mas ficou atrás do baixinho argentino. Este ano, ambiciona como nunca essa satisfação pessoal. Dia 7 de janeiro a Fifa promete divulgar o vencedor.          

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