Gilvan de Souza/Divulgação
Gilvan de Souza/Divulgação

Cristóvão Borges revela racismo em críticas ao seu trabalho no Fla

Técnico do rubro-negro diz que é perseguido de forma 'sistemática'

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 22h51

O treinador Cristóvão Borges, do Flamengo, revelou estar sendo vítima de racismo em sua passagem pelo clube carioca. O técnico assumiu o comando do rubro-negro em maio deste ano, após a saída de Vanderlei Luxemburgo, e hoje ocupa a 13ª posição do Brasileirão, com 20 pontos conquistados. Em entrevista ao programa Linha de Passe, da ESPN, o treinador questionou o tipo das críticas 'sistemáticas' que são feitas ao seu trabalho, muitas vezes através das redes sociais.

'Começam com as críticas, as críticas insistentes, contínuas e diárias. Então ela vira perseguição e, no conteúdo de algumas dessas críticas, existem componentes racistas sim. Por exemplo, foi citado que o Flamengo, na hora de escolher o treinador, deixou de escolher o Osvaldo de Oliveira para escolher o do Pelourinho'

Mesmo assumindo que ocupa um cargo que envolve muita paixão das pessoas, assim como ocorre com um árbitro de futebol, Cristóvão entende que é tratado com menos paciência. 'A tolerância comigo é diferente, sempre foi. Agora, isso não é uma coisa que me afete a ponto de atrapalhar meu trabalho. Isso não, porque eu me preparei para estar nessa situação. Só que, quando passa do ponto, quando me atinge como pessoa, como cidadão, aí sim eu vou procurar meus direitos para me fazer ser respeitado'.

Com passagens por clubes como Corinthians, Grêmio e Fluminense e seleção brasileira como jogador, Cristóvão Borges já havia sofrido com o mesmo problema quando treinou o Vasco da Gama, entre 2011 e 2012. 'Quando eu tirava o Felipe ou o Juninho, o torcedor achava que eu estava maltratando o ídolo. Para o torcedor, era muito abuso partindo de um ex-assistente, e negro, que ainda por cima defendia suas convicções. Eu me coloco. E essa coisa incomoda. Eu defendo minhas convicções independentemente de gostarem ou não, de ser vaiado ou não. Sei que isso incomoda. Não faço para agradar. Defendo e sustento. Como sou negro, percebo a agressividade. Os caras dizem: “Seu negro filho da p…”, ou algo assim. Aí, você percebe que está incomodando e que isso acontece não somente pela posição que está ocupando. É ofensa pessoal', disse em entrevista ao jornal Extra, quando ainda treinava o Fluminense no começo da temporada.

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