Paulo Giandalia/ ESTADÃO
Paulo Giandalia/ ESTADÃO

Críticas ao 'Paulistinha' rendem 45 dias de gancho a presidente do Palmeiras

TJD de São Paulo também condena o clube a pagamento de multa por causa das declarações do dirigente contra a arbitragem

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2018 | 11h49

O presidente do Palmeiras, Maurício Galliotte, foi condenado nesta segunda-feira pela 3ª. Comissão Disciplinar do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo) a 45 dias de suspensão por causa das declarações feitas contra a arbitragem após a decisão do Campeonato Paulista, diante do Corinthians, no último dia 8 de abril, no Allianz Parque. O clube também foi punido e terá de pagar multa de R$ 10 mil.

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Indignado com a decisão da arbitragem conduzida por Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, que voltou atrás na marcação de um pênalti de Ralf sobre Dudu após mais de oito minutos de paralisação da partida, Galiotte, único membro do Palmeiras a falar com a imprensa depois do jogo que consagrou o Corinthians como campeão, disparou críticas ao campeonato e aos árbitros da partida.

"Campeonato estragado, jogado no lixo. Respeitamos o adversário, mas ninguém precisa passar por isso. Nem Palmeiras nem Corinthians nem outros clubes. O que digo ao torcedor palmeirense é: "esqueçam o campeonato". O Palmeiras é muito maior do que o 'Paulistinha'. Não vamos ficar preocupados com uma situação absolutamente vergonhosa. O que esse senhor fez aqui foi uma vergonha. Depois de marcar a penalidade, ele teve uma reunião dentro de campo. Uma reunião! E aí o pênalti foi simplesmente anulado", disparou o mandatário palmeirense na ocasião.

Galiotte acabou denunciado no artigo 258, parágrafo 2º-II, do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que fala em "assumir conduta contrária à disciplina e à ética desportiva" e "desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões". A pena prevista nessas casos pode variar entre 15 e 180 dias.

Porém, ela não se aplica imediatamente, mas a partir do início da próxima edição do Estadual, em 2019. Do dia que marca a abertura do campeonato, contam-se os 45 dias corridos. Isto, é claro, se ele for reeleito em novembro, quando haverá votação no clube para escolha do próximo presidente. Na prática, se estiver no cargo, ele poderá frequentar os estádios nos jogos da equipe, mas não terá autorização a frequentar vestiário, zona mista, etc.

Já o Palmeiras foi enquadrado no artigo 258-D: "As penalidades de suspensão decorrentes das infrações previstas neste Capítulo poderão ser cumuladas com a aplicação de multa de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) para a entidade de prática desportiva a que estiver vinculado o infrator", diz o texto do Código. Ou seja, o clube terá de arcar com a multa máxima prevista.

Galiotte não esteve presente ao Tribunal no julgamento e, de acordo com a entidade, o Palmeiras não avisou se vai recorrer da decisão. Procurada pela reportagem do Estado, a assessoria de imprensa do clube afirmou que o departamento jurídico ainda analisa os próximos passos a serem tomados.

O caso foi relatado por João Batista Ferreira Filho. Além dele, integram a 3ª. Comissão Disciplinar: Fernando Ciarlariello, Marcelo Monteiro, Luiz Augusto D’Urso e Candido Spínola. Trata-se da mesma turma que, no mês passado, decidiu arquivar inquérito que investigava a suposta interferência externa na arbitragem na final do Paulistão.

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