Carl Recine/Reuters
Carl Recine/Reuters

Croácia domina a posse de bola, mas França triunfa ao ser letal

Pragmatismo marca campanha francesa rumo ao título da Copa do Mundo

Beto Silva, especial para o Estado, Estadão Conteúdo

15 de julho de 2018 | 16h10

A França venceu a Croácia por 4 a 2 neste domingo, em Moscou, e conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo. Na grande final, os croatas tiveram mais posse de bola e foram mais ofensivos, mas os franceses foram outra vez letais, como na semifinal diante da Bélgica, ao executarem a sua estratégia de jogo com velocidade e precisão nas conclusões. Quando chegou, marcou. Letal! É o que mostram os números oficiais da partida, mapeados pela Fifa.

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A jovem seleção francesa, com os talentos individuais de Griezmann, Mbappé e Pogba, foi a sensação da competição ao vencer seis das sete partidas - empatou apenas com a Dinamarca, por 0 a 0, no terceiro jogo da primeira fase. Um estilo de jogo que superou, em sua caminhada para o segundo título mundial - o primeiro foi em casa, em 1998 - seleções da Oceania (Austrália), da América do Sul (Peru, Argentina e Uruguai) e da Europa (Bélgica e Croácia).

Mas, na finalíssima, a Croácia dos experientes Rakitic, Modric e Mandzukic mostrou domínio nas ações de meio de campo e chegou bem ao ataque. Faltou para os croatas finalizar melhor, quesito que os franceses sobraram.

O poderio do setor de ataque da França é revelado pelas conclusões. Foram oito arremates a gol nos 90 minutos, sendo seis no alvo do goleiro Subasic e quatro gols. Produção gerada pela criatividade e dinamismo dos meia-atacantes Griezmann, Mbappé e Matuidi, em tática cirúrgica montada pelo técnico Didier Deschamps.

Só não obteve êxito ainda melhor porque o centroavante Olivier Giroud esteve apagado, assim como nas partidas anteriores da Copa - antes da final, o camisa 9 atuou nos seis jogos, tentou 14 arremates e acertou apenas um no gol. Neste domingo, chutou só uma vez, mas sem sucesso. Passou o campeonato em branco.

 

O talentoso meio de campo da Croácia deu as cartas na grande final da Copa. O time comandado pelo técnico Zlakto Dalic ficou 61% do tempo com a posse da bola. Liderado pelo capitão Luka Modric, eleito o melhor jogador do torneio, o setor trocou 456 passes certos no confronto. Mais do que o dobro dos franceses, que deram 198 passes certos - porém, mais verticais, em busca do gol.

O domínio croata na intermediária até criou chances. Além do astro do Real Madrid, Perisic, Rebic, Brozovic e Rakitic armaram boas jogadas. Foram 15 conclusões, quase o dobro da França, mas sem a mesma precisão, já que apenas três deram trabalho para o goleiro Hugo Lloris. Outras oito finalizações foram para fora e quatro foram bloqueadas pelos defensores adversários.

Faltou pouco para levar o primeiro título ao país do leste europeu. Uma geração de jogadores experientes, destaques de seus clubes, que deixa uma boa impressão ao se despedir das grandes competições, já que dificilmente estarão na Copa do Mundo do Catar, em 2022. A renovação será o principal desafio do futebol croata, que se mostra desorganizado internamente e exportador de talentos.

Já a bicampeã França deve sustentar o vigor nos próximos anos. O grupo vencedor, formado por jovens atletas, será mantido. Três finais, dois títulos mundiais, em seis Copas do Mundo no período de 20 anos, além de uma safra talentosa e campeã, colocam os europeus como protagonistas de qualquer torneio que venha pela frente.

 

 

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