Petr David Josek/AP
Petr David Josek/AP

Croácia e Nigéria estreiam na Copa da Rússia em duelo inédito

Jogo neste sábado, às 16h, será o encontro de diferentes realidades e objetivos e com uniformes chamativos

O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 05h00

O primeiro confronto da história entre Croácia e Nigéria será neste sábado, às 16 horas (de Brasília), em Kaliningrado, pelo Grupo D da Copa do Mundo da Rússia. Duelo inédito, de diferentes culturas, diferentes realidades socioeconômicas, diferentes objetivos na competição esportiva, mas de uniformes igualmente chamativos - do inconfundível quadriculado croata e do carnavalesco nigeriano.

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Dentro das quatro linhas, tensão de um lado e irreverência de outro. Os europeus iniciam o Mundial sob expectativa de um bom desempenho, por terem grupo de jogadores considerado um dos melhores do país de todos os tempos, enquanto que os africanos entram no torneio sem grande responsabilidade, com a equipe mais jovem entre as 32 participantes, e devem desfilar a icônica alegria nigeriana, tanto dentro de campo, com atletas habilidosos, como fora dele, com seus animados torcedores.

A Croácia chega na Rússia para a disputa de sua quinta participação em Copa do Mundo - até de 1994, nos Estados Unidos, fazia parte da Iugoslávia. Na França, em 1998, debutou e encantou o planeta. Mostrava ao mundo um jogo coletivo impressionante e apresentava aos desavisados o mais novo goleador: Davor Suker, artilheiro da competição com seis gols em sete partidas. Sim, sete partidas porque os croatas chegaram às semifinais de maneira surpreendente. Caíram apenas para a anfitriã, de Zidane e companhia, em um jogo que saíram ganhando, mas tomaram a virada. Na disputa do terceiro lugar, vitória por 2 a 1 sobre a Holanda, para encerrar a campanha memorável.

Agora, na Rússia, a missão de levar a Croácia para as fases finais do Mundial está nos pés dos meias Luka Modric, do Real Madrid, Ivan Rakitic, do Barcelona, e do atacante Mario Mandzukic, da Juventus. A experiência do trio que joga nos poderosos clubes europeus se junta à juventude de outros atletas convocados pelo técnico Zlato Dalic.

Essa mistura é a aposta da equipe para fazer os torcedores croatas voltarem a sonhar com mais uma Copa do Mundo inesquecível. Depois de 1998, a população do país se decepcionou nas campanhas de 2002, 2006 e 2014, nas quais a equipe foi eliminada na primeira fase. Em 2010 fez uma eliminatória vexatória e sequer se classificou para o Mundial.

 

Uma pressão natural sobre a atual seleção croata, que está sendo bem absorvida pelo elenco, ao menos nas palavras de Luka Modric. "Esperamos muito de nós mesmos. Essa pressão não vai influenciar no nosso desempenho. Estamos cheios de confiança e esperança".

A união de jogadores novos com os de mais cancha resulta na mescla da correria com cadência. O estilo de jogo da Croácia é baseado na posse de bola, com toques rápidos no meio de campo. Assim o time tentará envolver a Nigéria, sempre tomando cuidado com o contra-ataque.

Pelos lados nigerianos, o ambiente é leve e descontraído. Foi assim nos cinco Mundiais anteriores que participaram. Sem a pressão que outras seleções carregam nas costas, a Nigéria mais uma vez vai mostrar a força física de seus atletas, com meias e atacantes velozes.

A equipe pretende chegar de maneira inédita às quartas de finais do torneio. Os africanos caíram nas oitavas de final em 1994, 1998 e 2014. E deixaram a competição na primeira fase em 2002 e 2010. Em 2006, não se classificaram.

Muitas curiosidades envolvem o time. É o grupo mais jovem desta Copa, com média de idade inferior a 26 anos. O técnico é o alemão Gernot Rohr. Entre os 23 convocados por ele, apenas um atleta joga no país de origem: o goleiro reserva Ikechukwu Ezenwa, que atua no clube Enyimba. O restante do elenco está espalhado pelo mundo.

E as peculiaridades não para por aí. São 18 jogadores que nunca estiveram em uma Copa do Mundo, que apenas está no currículo do capitão John Obi Mikel, Ahmed Musa, Victor Moses, Ogenyi Onazi e Kenneth Omeruo. "Isso pode funcionar a nosso favor, pois podemos ser subestimados e surpreender algumas equipes. Vamos brincar sem medo", analisou o defensor William Troost-Ekong, que atua no Bursaspor, do futebol turco.

Obi Mikel, meio-campista de 31 anos, o mais velho do elenco nigeriano, diz que a seleção tem "energia". "Sabemos que nós podemos", finalizou o jogador, prestes a entrar em campo no seu segundo Mundial. Ele tem a missão de municiar o atacante Odion Ighalo, que faz a sua primeira aparição na principal competição futebolística do planeta justamente no dia de seu aniversário de 29 anos - mais uma curiosidade nigeriana.

Com tudo isso, será que vão entrar para a história e passar, finalmente, para as quartas de final de uma Copa do Mundo? Estamos curiosos para saber!

 

 

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