Felipe Trueba/EFE
Felipe Trueba/EFE

Croata por escolha, Rakitic trocou Arquitetura por futebol

Meia do Barcelona nasceu na Suíça e chegou a atuar pelas seleções de base do país

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O meia Ivan Rakitic vai completar neste domingo, na final da Copa do Mundo, sua 71.ª partida na temporada. Um recorde absoluto entre os finalistas. Nenhum outro jogador do mundo jogou tanto. Foram 55 vezes pelo Barcelona e mais 15 partidas pela seleção croata.

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A última partida foi dramática. No dia anterior ao jogo diante da Inglaterra, ele teve febre de 39 graus e correu risco de não jogar. Teve de convencer o médico e o treinador de que tinha condições. “Não há problema (jogar 70 partidas). Vai ser um jogo histórico, não apenas para os jogadores, mas para todo o mundo. Vamos carregar um ao outro. Sabemos que é o maior jogo das nossas vidas”.

Se Modric é o cérebro da equipe croata, Rakitic é o coração. A exemplo do companheiro, ele é um marcador, mas também um criador de jogadas. Até agora, ele fez um gol, 14 finalizações e roubou a bola 32 vezes.

Não apenas os números de partidas mostram sua doação, mas sua própria história. Nascido na Suíça e filho de croatas, o meia escolheu defender o país sem nunca ter morado lá. Não foi simples. Ele chegou a jogar pelas seleções de base da Suíça. Só aceitou atuar pelo país dos pais em 2007, quando recebeu uma ligação de Slaven Bilic, na época técnico da seleção principal da Croácia. “Acho que não há sentimento melhor do que ser croata. Quando eu decidi jogar pela Croácia, eu tinha sonhos. Queria jogar uma final de um grande campeonato a cada dois anos. E chegar aqui é a realização de um grande sonho.”

 

Ivan Rakitic estudou Arquitetura e fala oito idiomas (croata, inglês, espanhol, catalão, italiano, francês, alemão e alemão-suíço). Quando ainda morava na Suíça, tentou conciliar a carreira de arquiteto e a rotina de atleta do Basel. Ele trabalhou no escritório que redesenhou o Estádio Olímpico de Berlim e projetou o Ninho do Pássaro em Pequim. “Tentei estudar, mas era impossível com a carreira de jogador. Tudo que você aprende acaba podendo usar um pouco no futebol”, revelou.

O nacionalismo é um tema importante. Ele fez questão de agradecer publicamente ao tenista sérvio Novak Djokovic, que declarou sua torcida pela Croácia e recebeu críticas por isso. Sérvios e croatas são rivais desde o dissolução da Iugoslávia, nos anos 1990. “Quero que domingo seja um dia de títulos para nós dois. As pessoas precisam entender que somos seres humanos. A história fica para trás”, disse. Rakitic não foge das perguntas. Diante da questão sobre Djokovic, o assessor de comunicação mostrou preocupação e tentou um jeito de bloquear a resposta. Rakitic não se alterou e respondeu.

 

 

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