Cruzeiro confirma venda de Sorín

A diretoria do Cruzeiro confirmou nesta segunda-feira a venda do passe do lateral-esquerdo argentino Juan Pablo Sorín para a Lazio, da Itália. Segundo o presidente José Perrella da Oliveira Costa, a transferência de Sorín, que embarcou para Roma logo após a derrota por 2 a 1 para o Criciúma, domingo, no Mineirão, pela Copa Sul-Minas - a primeira do time mineiro na competição em dois anos -, vai custar ao clube italiano US$ 9,5 milhões, em três parcelas. Metade do dinheiro fica com o Cruzeiro e a outra é da Hicks Muse Tate & Furst, co-gestora do clube. Sorín transferiu-se para o Cruzeiro do River Plate, em 2000, por cerca de US$ 5 milhões. Desde então, foi eleito duas vezes pela imprensa especializada o melhor lateral da América do Sul. Perrella informou que o jogador deverá permanecer no clube de Minas até maio, quando integra a seleção argentina na Copa do Mundo. Ele foi à Itália apenas para acertar detalhes salariais com o novo time, ao qual deve se apresentar oficialmente em julho. Ainda nesta semana, reintegra-se ao grupo comandado pelo técnico Marco Aurélio. "Vamos fazer um seguro para que ele possa participar das seqüências da Sul-Minas e da Copa do Brasil", disse o dirigente. Se houver algum problema de contusão com o atleta, ainda assim o time recebe o combinado. O lateral César, ex-São Caetano e encostado na Lazio, pode vir para o clube mineiro por um ano, também como parte do negócio. Tudo vai depender, de acordo com Perrella, de acertos salariais que ainda serão buscados entre o time e o jogador. Sorín, que já havia atuado na Europa - foi atleta da Juventus, de Turim, aos 19 anos, mas não se firmou - deve assinar com a Lazio por cinco anos, recebendo US$ 5 milhões no período. EXPLICAÇÕES - Ciente de que Sorín é, no momento, o maior ídolo do Cruzeiro, Perrella tentou explicar a decisão à torcida. De acordo com ele, o clube precisa vender pelo menos um jogador por ano para manter suas finanças em ordem. Inicialmente, a Lazio ofereceu US$ 7 milhões pelo passe. Dona de 50% do passe, a Hicks quis fazer negócio, mas o Cruzeiro, não. Com o aumento da proposta, que se tornou praticamente irrecusável, não houve como impedir a transação. Se continuasse discordando da venda do argentino, o Cruzeiro ainda deveria indenizar a co-gestora em US$ 4,75 milhões, já que, diante do valor estipulado, os norte-americanos tinham a prerrogativa de negociar Sorín independentemente da posição do clube, conforme acordo firmado entre as partes. "Somando isso aos salários do atleta, teríamos de gastar com ele, em média, algo em torno de R$ 1 milhão por mês, até o final do contrato", disse. "Outros ídolos virão", garantiu Perrella. Parceria - Embora a negociação de Sorín tenha sido interpretada, inicialmente, como o encerramento do contrato de parceria entre o Cruzeiro e a Hicks Muse, que já completa dois anos, Perrella e o representante do grupo norte-americano Adhemar Magon garantiram que a união continua. Magon ressaltou, no entanto, que, diante dos prejuízos acumulados pela empresa com o clube até o momento, alguns ítens do acordo, os quais não quis adiantar, deverão ser revistos. Hoje, a Hicks, que de início investiu US$ 20 milhões no Cruzeiro, paga integralmente a folha salarial da equipe. Para Perrella, a parceria é importante. Caso os estrangeiros queiram deixar o negócio, porém, o Cruzeiro não será abalado, já que conta com uma boa arrecadação. "A parceria tem dois anos, mas o clube tem 80 e não depende dela para sobreviver", justificou.

Agencia Estado,

18 Março 2002 | 17h37

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