Washington Alves/Vipcomm
Washington Alves/Vipcomm

Cruzeiro e Atlético-MG se unem em clássico para apoiar o volante Tinga

Clubes amenizam rivalidade e prometem ações para apoiar jogador, que foi vítima de racismo

O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2014 | 05h00

BELO HORIZONTE - A rivalidade e a disputa por pontos no Campeonato Mineiro serão secundários na tarde deste domingono estádio Independência. Atlético-MG e Cruzeiro jogam em clima de solidariedade para protestar contra os atos racistas sofridos por Tinga quarta-feira em partida válida pela Copa Libertadores.

A torcida alvinegra promete gritar o nome do jogador do clube arquirrival antes de a partida começar. E os cruzeirenses devem entrar em campo com uma faixa de protesto pelo incidente ocorrido e vão atuar motivados para dedicar uma vitória como apoio ao colega. Tinga foi hostilizado por torcedores peruanos durante a derrota por 2 a 1 para o Real Garcilaso, em Huancayo. A cada vez que ele pegava na bola, ouvia gritos que imitavam macacos.

O episódio ganhou repercussão internacional, e foi condenado pela presidente brasileira, Dilma Rousseff, e também pelo chefe do executivo peruano, Ollanta Humala. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu abrir investigação para apurar o caso e está sendo pressionada para punir com rigor o clube peruano – a CBF, por exemplo, quer a sua exclusão da competição.

No dia seguinte ao jogo os atleticanos já começaram a demonstrar solidariedade ao colega cruzeirense. "Muito triste pelo que aconteceu com o meu parceiro Tinga na Libertadores. Incrível como isso ainda existe no futebol", escreveu no Twitter o ídolo alvinegro Ronaldinho Gaúcho. Na mesma rede social, o presidente do clube, Alexandre Kalil, também manifestou apoio. "Racismo na Libertadores? Me tiraram o prazer da derrota do Cruzeiro. Lamentável." O técnico do Atlético-MG, Paulo Autori, trabalhou durante quatro anos no futebol peruano e ficou espantado com o incidente. "É preciso ter punições fortes. Foi um comportamento lamentável."

Ao chegar a Belo Horizonte depois da derrota para o Real Garcilaso, Tinga foi recebido por cerca de 30 torcedores cruzeirenses. O grupo não foi embora do aeroporto de Confins mesmo com o atraso do voo em mais de uma hora. Em sinal de apoio, alguns torcedores pintaram o rosto de preto e cercaram o jogador, que se disse surpreso com a manifestação. "Não esperava uma recepção assim, ainda mais porque perdemos o jogo."

ESCALAÇÃO

O principal personagem do clássico deve a princípio ficar na reserva. O técnico Marcelo Oliveira pretende escalar o time com a força máxima, embora esteja preocupado com o desgaste dos atletas, que precisaram pegar três voos para retornar do Peru, onde jogaram na altitude. "Ainda não defini o time. Depende de uma avaliação física", disse.

O Cruzeiro está em situação melhor na competição. Em quatro rodadas, conseguiu três vitórias e um empate. O rival faz campanha ruim, e conseguiu ganhar apenas uma vez em quatro partidas – empatou uma e perdeu duas. O time precisa ficar entre os quatro primeiros para avançar à fase decisiva.

O técnico Paulo Autuori vai ter à disposição dois zagueiros recém-chegados, o argentino Otamendi, ex-Porto, e Edcarlos, que foi revelado pelo São Paulo. Recuperado de lesão, o volante Leandro Donizete pode voltar ao time.

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