Cruzeiro não teve adversários em 2003.

Cruzeiro não teve adversários em 2003. Atropelou todos os que apareceram pela frente. Levou o Campeonato Brasileiro, Mineiro e a Copa do Brasil - a Tríplice Coroa. E garantiu uma vaga na Libertadores da América de 2004. Fez tudo certo, foi um demolidor de estatísticas: 100 pontos, 102 gols no campeonato nacional. Alex, o condutor do time, se consagrou como o melhor jogador do Brasil na temporada."O segredo do Cruzeiro foi o planejamento. Começamos a projetar o trabalho no ano passado, quando a equipe foi eliminada na fase final do Campeonato Brasileiro de 2002. A estrutura do clube também já coloca o time com 80% de chances de ser o campeão", comentou o técnico Vanderlei Luxemburgo, que também fechou 2003 com o seu quarto título Brasileiro - recorde entre os treinadores."É uma honra muito grande superar treinadores como Rubens Minelli e Ênio Andrade no número de conquistas. Sempre digo que as conquistas pertencem aos jogadores, mas os técnicos têm papel muito grande na organização. Sem essa organização não se faz um time campeão", insiste Luxemburgo. "E o futebol brasileiro têm técnicos de alto nível que, infelizmente, não são valorizados lá fora. Tomara que o Felipão possa abrir o mercado com o bom trabalho que está fazendo em Portugal".A estrutura a que Luxemburgo se referiu do Cruzeiro é a mais completa do futebol brasileiro. Inclui dois sofisticados centros de treinamentos: Toca da Raposa I e II, ambos no bairro da Pampulha.A primeira Toca, construída no final da década de 70, foi destinada às categorias de base. O primeiro centro de treinamentos projetado por um clube de futebol do Brasil tem 53 mil metros quadrados, quatro campos, concentração com 18 apartamentos, academia, salão de jogos e cinema.Abriga até uma escola de ensino fundamental e médio. São 200 atletas freqüentando as aulas. O clube tem 23 mil crianças nas escolinhas em 130 unidades.Na Toca II, modernidade. É um complexo esportivo erguido em terreno de 86 mil metros quadrados - 4,2 mil de área construída. Custou: R$ 6 milhões. Foi inaugurado no dia 9 de março de 2002.As instalações contam com um hotel de 17 apartamentos, cinema, sala de jogos, restaurante, sala de fisiologia, piscina, vestiários, quatro campos - todos os equipamentos à disposição dos jogadores profissionais e Comissão Técnica.A parte administrativa do clube foi transferida para um novo prédio de oito andares construído em uma área de 5 mil metros quadrados na Rua Timbiras, centro de Belo Horizonte. O edifício foi inaugurado há três meses.Tamanha estrutura apoiou o time na campanha de 31 vitórias, 7 empates e 8 derrotas; 102 gols a favor e 45 contra no Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro gastou R$ 4 milhões para montar a equipe e dividiu custos com empresários e patrocinadores. Teve uma despesa de R$ 40 milhões no ano e faturou R$ 28 milhões, déficit de R$ 12 milhões."Trabalhamos com os pés no chão. Para cobrir esse déficit, temos de vender pelo menos dois jogadores ou encontrar outros meios para obter recursos. No balanço geral, nossas contas estão equilibradas", explica Zezé Perrella, vice-presidente do Cruzeiro, que divide a administração com o seu irmão Alvimar Perrella desde 1994.Em janeiro, os dirigentes prometem lançar o projeto do Cruzeiro clube-empresa. "E pode tomar dois rumos", disse o presidente Alvimar Perrella. "O Cruzeiro tem a opção de vender ou não vender ações. Se optarmos por vender ações, o Cruzeiro sempre será majoritário. Isso está no nosso estatuto. Não importa eu estar na presidência ou não."Um dos projetos do clube-empresa é viabilizar a construção, em 2005, de um estádio com capacidade para 40 mil pessoas. A torcida do Cruzeiro, analisam os dirigentes, deve crescer depois da campanha de 2003.De acordo com o balanço divulgado na terça-feira pela CBF, o time mineiro foi o que mais levou público ao estádios nos jogos disputados em casa no Brasileiro. A média foi de 26.109 pagantes nas partidas disputadas no Mineirão. Em segundo lugar ficou o Fortaleza, com média de 24.351 pagantes.

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